segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

O monstro da sapiência.

   Às vezes criamos monstros onde eles não existem. Um barulho ou um vulto em um ambiente de penumbra assusta algumas pessoas. Disfunções neurológicas podem produzir alucinações (aqueles que também gostam de assistir ao Dr. House ou outras séries médicas já devem ter visto exemplos). Supostos “monstros” foram executados pelos seus semelhantes em inquisições. Crianças tem pesadelos com histórias de monstros que ouviram ou assistiram na tv.



   Hoje eu quero lhes apresentar um monstro que eu tive que exterminar: O monstro da sapiência.

   ?!?!?!?!?!?!?!?!

   Calma, eu explico. Para aqueles que não deram uma espiadinha no meu perfil eu sou formado em Letras (pela misericórdia e bondade de Deus), e às vezes eu sinto falta da época em que eu não podia diagnosticar barbarismo, ambigüidades, cacofonias, pleonasmos, entre outros males da nossa língua pátria. Sou extremamente feliz com a minha formação, sei que nasci para isso, mas já passei por alguns apuros graças aos meus talentos.

   Em outra postagem já falei do meu trabalho na rádio Shalom FM aqui em Cassilândia. Um dos locutores é um amigo bem próximo, e eu percebi que ele tropeçava em algumas regras gramaticais. Então com muito zelo (afinal de contas todo lingüista e gramático já tem fama de “senhor-corrige-todo-mundo”) eu lhe mostrei a forma de corrigir o seu processo comunicativo.

   Funcionou! Ele melhorou muito e eu fiquei satisfeito por poder dar “alta” ao meu paciente. Porém, dias depois ocorreu algo que deu origem a esse artigo: Estávamos em uma animada reunião de amigos em uma sorveteria depois do culto, e você sabe como é uma “roda” de amigos não é? E em certo momento aquele mesmo irmão que eu tinha ajudado disse:

   - O Alex é um verdadeiro “senhor-corrige-todo-mundo”!

   Eu sabia que era uma brincadeira e não levei em consideração. Mas depois fiquei pensando no caso de quase ter me tornado um monstro da sapiência (que me perdoem os freudianos de plantão, imagino que Freud reconheça tal questão com um nome mais apropriado, porém esse é mais divertido), mesmo com todo o cuidado que havia tomado.

   Vejam bem, estou falando que esse monstro surge na vida de pessoas que NÂO são orgulhosas ao extremo. Realmente existem pessoas que acreditam serem melhores do que os outros só por que ficaram anos sentados em uma cadeira universitária e tem um papel na parede que prova isso. Esses possuem um distúrbio social que deve ser tratado com doses homeopáticas de humildade. Falo sim de uma acusação contra pessoas bem intencionadas, que de uma hora para outra se torna um monstro!

   Vamos ilustrar da seguinte maneira: Do ponto de vista de quem está ajudando ele se sente um enfermeiro exercendo o seu dever. Do ponto de vista de quem critica a pessoa se transforma em um cientista maluco disposto a colocar algo no cérebro da pessoa.

   Dias depois alguns outros espécimes desse monstro fictício surgiram diante de mim: Eu vi um homem ser mal educado com um médico por que o mesmo lhe aconselhou a não comer certo alimento devido ao seu problema de saúde. O “monstro” recebeu de volta uma bronca lembrando que a lanchonete não era o seu consultório. E você pensa que esses monstros só aparecem na vida de pessoas com diploma universitário? Certo dia eu passei perto de três garis, um deles mais experiente explicava para os outros como fazer o serviço de forma rápida e eficaz. Quando ele se afastou eu ouvi um dos outros dizendo: “Esse exibido pensa que pode nos ensinar só por que tem muito tempo de serviço”!

   Puf, puf...aff

   Confesso que tive que respirar fundo nas duas circunstâncias! Se eu fosse ainda o velho homem sem Jesus diria ao meu amigo que da próxima vez eu o deixaria mostrar a toda a cidade a sua ignorância, diria ao homem rude da lanchonete que se ele não ouvisse ao bom conselho aquele médico iria assinar o seu atestado de óbito, e por último, diria aos dois garis que eles deveriam mesmo fazer o serviço do seu jeito, enquanto isso o outro já teria acabado e estaria em casa com a família! Ainda bem que Jesus mudou meu viver e...

   Esperem um minuto! E Jesus?

   Na época do seu ministério terreno ele tinha a missão de restaurar a comunhão entre os seres humanos e Deus, e isso incluía ensinar muitas coisas que a natureza ingrata, rude e pecaminosa dos homens não aceitaria (aliás, como até hoje). Será que Ele foi rotulado um senhor-sabe-tudo por seus opositores?

   Evidente que Jesus não escapou dessa acusação! Certa vez em Nazaré as pessoas quiseram lhe apedrejar por causa de suas palavras, acusando-lhe de monstro da sapiência. (Lucas 4. 14 a 30)

   Vocês como cristãos envolvidos na obra de Deus já devem ter ouvido essa acusação: “Esses crentes pensam que sabem tudo, que só eles tem a razão”! Isso significa que a igreja, semelhante ao seu mestre, encontra pessoas com os corações fechados para a sua mensagem.

   Foi nesse momento que eu percebi que o monstro da sapiência tem duas origens: A soberba do interlocutor e/ou um coração fechado do receptor. Desde esse momento tenho orado pedindo a Deus que Ele me livre da soberba, e que me mostre a forma mais correta para abordar as pessoas que realmente quero ajudar. E tenho visto os frutos do Senhor!

   Assim foi também com o Senhor Jesus, após ouvirem os seus sermões a maioria dos seus ouvintes não o via como ameaça, e sim como alguém enviado por Deus! Todas as vezes que seus adversários intelectuais lhe desafiaram eles saiam admirados de sua sabedoria. Todos que creram em suas palavras receberam bênçãos inauditas. E assim também acontece com a mensagem da igreja, todos aqueles que a recebem com todo o coração recebem a bênção da vida eterna!

   “O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras não hão de passar.” (Mateus 24. 35)


0 comentários:

Postar um comentário

A sua opinião é muito importante para a gente.
Comente, critique, deixe a sua dica para que o Sementes do Evangelho seja um blog relevante.