domingo, 27 de março de 2011

A maior das heranças.


            A casa estava cheia e movimentada! Há muito tempo esse lar não recebia visitantes tão alegres e festivos! Enquanto servia o vinho, a esposa de Zaqueu percebia a mudança na feição no rosto de seu esposo. Ela já não se lembrava da última vez que havia ouvido a risada do seu marido!

            O domicílio estava cercado de curiosos, afinal Zaqueu estava com um visitante ilustre e inusitado em seu lar, Jesus de Nazaré! Muitas das pessoas que estavam nos arredores desse lar murmuravam dizendo:
            - Como esse homem, que tem tantos discípulos e se denomina mensageiro divino, entra na casa de um pecador para repousar?
            Realmente isso não fazia sentido para a dona da casa, ela sabia que o seu lar seria o último de Jericó a receber tão honrosa visita, ela ainda meditava sobre o assunto quando o seu marido se levantou e disse a Jesus:
            “...Senhor, eis que eu dou aos pobres metade dos meus bens; e, se em alguma coisa tenho defraudado alguém, o restituo quadruplicado” (Lucas 19. 8). Essa atitude veio coroar um dia de surpresas para essa mulher, e a resposta de Jesus trouxe a certeza de que dias melhores viriam:
            “E disse-lhe Jesus: Hoje, veio a salvação a esta casa, pois também este é filho de Abraão. Porque o Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido” (Lucas 19. 9 e 10).
            Interessante Jesus ter ligado a salvação daquele lar às promessas feitas a Abraão. Como sempre o Senhor foi direto ao ponto do problema, Vejamos o que levou Zaqueu a se perder das suas origens. Ele era o chefe dos publicanos, cobradores dos impostos exigidos pelo império romano. Zaqueu estava em uma carreira mal vista pela sociedade judaica, em alguns trechos dos evangelhos os publicanos são colocados no mesmo balaio de pecadores (Mateus 9. 11/ Marcos 2. 16).
            Imagine o sofrimento dessa família, todos os consideravam traidores do povo judeu. A esposa de Zaqueu tinha que lidar com os olhares acusadores e o murmurinho das fofocas por onde ela passava. As crianças eram hostilizadas pelos amiguinhos e tinham que lidar com os apelidos de “filhos do ladrão”.
            Zaqueu também experimentou do isolamento social adquirido por conseqüência de sua profissão. De repente amigos e parentes lhe viraram as costas, ele não era mais convidados para nenhuma reunião na cidade, no passar dos anos seu convívio se resumiu à família e os companheiros de trabalho.
            O relato bíblico nos mostra que Zaqueu prosperou na profissão, ele se tornou um homem rico, ele tinha condição de satisfazer todos os desejos de sua família e ainda lhes garantir uma boa herança, entretanto, ainda lhe faltava algo...



            Como todo judeu, Zaqueu sabia contar com detalhes as promessas de Deus a Abraão. Quando ele se lembrava do dia em que Deus prometeu ao patriarca, que por causa da sua descendência todas as famílias da terra seriam abençoadas, Zaqueu deveria pensar: “Então por que a minha família vive tão triste?”
            Zaqueu realmente estava perdido, já não sabia se era merecedor de herdar algo do Pai celeste, ele precisava de um reencontro com Deus.
            Felizmente, naquele dia havia um alvoroço em Jericó, Zaqueu olhando pela janela de seu local de trabalho perguntou a um dos transeuntes:
            - O que está acontecendo? Por que tanto alvoroço?
            - Ficamos sabendo que Jesus de Nazaré está chegando à cidade e estamos indo até ele!
            Nesses dias as notícias sobre o ministério de Jesus já percorriam todo Israel. Zaqueu já havia ouvido muitos testemunhos de pessoas que haviam se encontrado com Jesus, e de repente, sentiu um desejo profundo por conhecê-lo. 
            Imagine o sofrimento de Zaqueu na sua busca por Jesus. Chegando perto da multidão ele podia ouvir as pessoas dizendo: “Vejam é ele mesmo!”, “Estou curado!”, “Eu posso ver!”; Isso tudo misturados com louvores e brados de gratidão. Todavia, devido à sua pequena estatura, Zaqueu não conseguia ver a Jesus.
            Os sentimentos criavam uma tempestade no coração do publicano: Ele desejava muito ver ao mestre, era como se fosse uma oportunidade única em toda a sua vida. Porém, já brotava o desespero de não conseguir vencer a multidão. O que fazer?
            A resposta estava mais à frente. Zaqueu percebeu que havia um sicômoro (ou figueira brava), uma árvore em que ele poderia subir para pelo menos ver o homem importante que passava por Jericó. Com alguma dificuldade, e sem dar atenção às pessoas que viam essa cena inusitada (Será que Zaqueu endoidou?), ele subiu na árvore e passou a guardar a multidão.

            Quando finalmente eles passaram por ali, mais uma vez a decepção bateu à porta do coração de Zaqueu, ele não conseguia saber quem era Jesus no meio de tantas pessoas. Novamente parecia que ele estava destinado a estar longe das bênçãos de Deus.
            Um chamado inesquecível saiu do meio da multidão, chamado esse que trouxe a paz a Zaqueu. Disse Jesus: Zaqueu, desça depressa, hoje eu quero ir à sua casa!
            Depois de descer para abraçar ao Senhor, Zaqueu o conduzia ao seu lar, e pelo trajeto ia pensando: “Ele me conhece, e me chamou pelo nome!”, “Deus não me desamparou!”, “Ele vai abençoar a minha família!”
            O final você já conhece, Zaqueu foi reconhecido como herdeiro de Abraão!
            Assim como Zaqueu, existem muitas pessoas que perderam o direito de desfrutar da salvação, devido a escolhas erradas que fizeram pela caminhada da vida. Trocaram a comunhão com Deus por coisas terrenas e passageiras.
            Nesse artigo eu quero te lembrar que existe uma herança maior! Riqueza, beleza, fama, são fatores apenas desse mundo, passageiros e instáveis como tudo que é terreno. Mesmo sem possuir nada disso, é possível viver dignamente e ainda usufruir da herança eterna adquirida na cruz!
            “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua muita misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, mediante a ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos, para uma herança incorruptível, sem mácula, imarcescível, reservada nos céus para vós outros.” (1 Pedro 1. 3 e 4/ Negrito nosso)


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