domingo, 4 de março de 2012

O balcão dos talentos perdidos.


Por Alexfábio Custódio

Eu tenho uma dúvida acerca de aeroportos, será que quando eles foram planejados já havia espaço no projeto para o balcão de achados e perdidos?

Certo dia passou uma reportagem na televisão, daquelas produzidas por estagiários para preencher o telejornal, sobre objetos encontrados no balcão de achados e perdidos do aeroporto do Galeão no Rio de Janeiro.

Havia de tudo! Óculos escuros cravejados de brilhantes, celulares, peças sortidas de roupa, ursinhos de pelúcia, e pasmem... uma muleta!!!! Pessoalmente eu espero que Jesus tenha feito um milagre no antigo dono.


Há mais de cinco anos eu trabalho com transporte terrestre de passageiros, jeito bacana de descrever empresas de ônibus. Na rodoviária de Cassilândia MS nós não temos nenhum balcão de achados e perdidos. Quando ocorre algum caso nós temos que guardar no próprio guichê da empresa. 


Em uma oportunidade eu encontrei uma blusa de lã em uma poltrona do ônibus. Como ninguém reclamou a falta dela eu a coloquei em um cantinho do guichê. E ali ela ficou abandonada por meses dentro de uma caixa. 


De vez em quando eu me lembrava dessa blusa e imaginava os seus sentimentos (sim, eu tenho mania de conversar com os objetos). Imaginava a sua decepção com a pessoa que havia lhe esquecido naquele assoalho empoeirado do ônibus. Quantas vezes ela havia protegido aquela pessoa das quedas repentinas de temperatura? E agora ela estava naquele exílio de papelão.


Não chore, ela teve um final feliz: no inverno teve uma campanha do agasalho e ela foi doada para uma pessoa que não a abandonaria.


Outra vez uma mulher esqueceu um travesseiro ortopédico no ônibus, dois dias depois ela veio me perguntar se alguém o havia encontrado. Infelizmente nunca encontramos esse travesseiro, o que custaria uns duzentos reais para a senhora.


Enquanto meditava nesses acontecimentos eu me lembrei de alguns elementos alegóricos presentes nas parábolas de Jesus: 




“Também o Reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo que um homem achou e escondeu; e, pelo gozo dele, vai, vende tudo quanto tem e compra aquele campo.” (Mateus 13. 44).


Veja o termo grifado no texto acima, Jesus comparou o reino de Deus com um tesouro escondido. Agora pasme... Esse tesouro tão precioso foi esquecido! Tanto que outra pessoa o encontrou! É incabível, mas alguém escondeu um tesouro de tamanho valor, no intuito de buscá-lo mais tarde, e nunca mais voltou! 




Na parábola dos talentos outro cidadão, que não conhecia o valor daquele dom a ele confiado, enterrou-o sem nem ao menos ter tentado utilizar essa dádiva.


Todos os dias eu peço a Deus em oração para que Ele me ajude a exercer os talentos com os quais fui tão amorosamente agraciado. Eu acredito que todo o cristão possui dons e talentos doados por Deus, buscando o aperfeiçoamento dos santos e a unidade do corpo de Cristo. 




Infelizmente estamos vivendo dias em que esses talentos são esquecidos, abandonados ou enterrados para “mais tarde”. E em muitos casos, mais tarde é tarde demais!


Imagine uma ceninha comigo: Durante algum momento da peregrinação da igreja um anjo entra no veículo da salvação (devidamente uniformizado e com crachá da viação Transcéu) e percebe alguns objetos abandonados em algumas poltronas vazias.

O primeiro é uma espada, quando interrogada sobre seu dono (estou falando com objetos fictícios agora, meu Deus!), ela nos explica que havia sido doada por Deus a um pastor, que a usaria para defender a fé cristã. Infelizmente ele decidiu se envolver com o trabalho secular, seu tempo ficou cada vez mais valioso, e a espadinha acabou abandonada naquele assento.

Em outro banco encontramos um alforje cheio de sementes, o seu testemunho é muito triste: Seu dono era um fervoroso missionário que levava as sementes do evangelho por onde andava, porém os constantes problemas e abandono por parte das igrejas fizeram o missionário desistir do chamado e do alforje.

No corredor encontramos uma pena com marcas de tintas. Ela pertencia a uma pessoa dotada por Deus com uma capacidade de compor músicas de louvor a Deus que alegravam o Céu. O compositor chamou muita atenção, atenção demais! Hoje ele compõe para o mundo e a velha peninha voou guiada pelo vento.

Um estetoscópio está pendurado no braço de uma poltrona. Seu dono era um médico grato a Deus por suas habilidades, ele se tornou um ícone de apoio aos necessitados e de misericórdia. Porém, alguém achou que se o bom doutor entrasse para a política ele poderia ajudar muito mais pessoas. No início até foi bom, mas ele acabou envolvido em conchavos e falcatruas que afastaram toda a misericórdia de seu coração.


Acho que já está bom, não podemos segurar o veículo por muito tempo. Creio que você entendeu o que eu quis dizer com todo esse bla bla bla sobre objetos perdidos falantes. Deus tem doado uma infinidade de dons e talentos aos seres humanos visando um propósito maior. E muitas vezes no meio do povo de Deus essas dádivas são esquecidas, abandonadas e enterradas.


Se você se encontra alarmado com esse artigo por que descobriu que tem 
enterrado seus talentos, mais uma vez eu digo não chores, a sua história também pode ter um final feliz! Os talentos encontrados são levados ao balcão dos talentos perdidos.


Eles estão à sua espera, vá buscá-los AGORA!


Use-os para a glória e Deus!





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1 comentários:

Hermes C. Fernandes disse...

Olá Alexfábio!

Grata surpresa encontrar seu blog. Parabéns por sua iniciativa, proposta e conteúdo. Quero encorajá-la a prosseguir, e por isso, já estou seguindo.

Deixo aqui o meu convite para que conheça também o meu blog, e se desejar também segui-lo, ficarei honrado.

www.hermesfernandes.com

Te espero lá!

A propósito, muito bom este artigo. Obrigado por me convidar a conhecer seu espaço.

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