sexta-feira, 10 de setembro de 2010

De zombador a adorador.


            “Então, Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou-lhes Barrabás, e, açoitado Jesus, o entregou para que fosse crucificado. E os soldados o levaram para dentro do palácio, à sala da audiência, e convocaram toda a coorte. E vestiram-no de púrpura e, tecendo uma coroa de espinhos, lha puseram na cabeça. E começaram a saudá-lo, dizendo: Salve, Rei dos judeus. E feriram-no na cabeça com uma cana, e cuspiram nele, e, postos de joelhos, o adoravam. E, havendo-o escarnecido, despiram-lhe a púrpura, e o vestiram com as suas próprias vestes, e o levaram para fora, a fim de o crucificarem”  (Marcos 15. 15 ao 20).
            Além do evangelho de Marcos, Mateus e João também narram essa passagem desse dia terrível para o Senhor Jesus.  O messias desprezado pelos líderes do povo judeu, a ponto de ser trocado por um guerrilheiro assassino (Barrabás), também sentiria a repulsa daqueles soldados romanos.
            Após a horrível sessão de açoites, os soldados conduziram o debilitado prisioneiro ao pretório, algo semelhante a um quartel. Aqueles soldados estavam prestes a realizar a mais infeliz cena de humor negro da história.
            Humor negro é quando alguém faz graça com a infelicidade, debilidade ou momento trágico de alguma pessoa ou comunidade. Imagine aqueles homens chegando ao pretório, e em alta voz convocando toda a coorte (porção de gente armada, ou tropa).
            - Homens venham conhecer a nossa ilustre visita. O rei dos judeus está nos honrando com a sua visita.
            Enquanto o “público” se aproximava curioso, os escarnecedores continuavam:
            - Vocês não acham que devemos honrá-lo?
            Colocaram em Jesus uma capa vermelha (para representar um manto real), lhe fizeram segurar um caniço (em lugar de cetro), e teceram uma coroa de ramos com espinhos que perfuravam o seu crânio.
            - Agora sim, um verdadeiro rei! Salve grande rei judeu! – Zombavam os soldados curvando-se diante de Jesus.
            - O que foi majestade? O rei do “grande” povo judeu está calado.
            - Acho que ele não nos considera dignos de ouvirmos as suas palavras.
            - Então, acho que teremos que mostrá-lo o que achamos dele e do seu povo.
            Nesse momento o soldado arranca o bastão das mãos de Jesus e lhe aplica seguidos golpes na cabeça. Como se isso não fosse suficiente, os demais lhe aplicavam socos e cusparadas na face. Com certeza muitos dos presentes consideraram aqueles maus tratos um “espetáculo” hilário.
            Nesse momento algo como: “Isso não tem graça nenhuma” deve estar passando pela mente do(a) amigo(a) leitor(a). Realmente o calvário psicológico de Jesus foi tão cruel quanto o físico. Desprezo, zombarias, calúnias e ofensas feriram os sentimentos do Cordeiro de Deus.
            Qual foi a reação de Jesus a todos esses ataques? O silêncio.
            Jesus não retrucou, não agrediu de volta. Apenas se calou.
            Como cordeiro mudo seguiu para o matadouro.
            As suas palavras no calvário foram de perdão e esperança. E, quando finalmente tudo estava consumado, Ele entregou a sua alma ao Arquiteto do projeto da salvação.
            Houve um terremoto no momento de sua morte. Em Jerusalém, o véu do templo, que separava a presença de Deus da humanidade, se rasgou de alto a baixo. Entretanto, no monte calvário, um homem que provavelmente não conhecia nada sobre esse véu compreendeu o que estava acontecendo. Quem era esse homem? Veja:
            Quando o oficial romano que estava ao lado da cruz de Jesus viu como Ele entregou o espírito, exclamou: "Verdadeiramente, este era o Filho de Deus! "  (Marcos 15.39).
            Um homem que provavelmente presenciou boa parte do sofrimento e das zombarias afligidas a Jesus, e que provavelmente tenha feito parte delas, agora reconhecia a divindade do homem recém falecido.
            Basta o efeito da cruz! Não precisamos começar guerras santas contra os zombadores do evangelho. Não precisamos queimar livros de outras religiões em nossas igrejas, não precisamos perseguir comediantes que fazem graça com a figura do Senhor. Anunciemos o evangelho da paz, as boas novas de salvação, a reconciliação com Deus pelo perdão dos pecados.
            É evidente que devemos defender a nossa fé, mas não com atitudes de guerrilha. Sigamos a recomendação do Apóstolo Pedro: “estai sempre preparados para responder com mansidão e temor a qualquer que vos pedir a razão da esperança que há em vós” (1 Pedro 3. 15).
            O efeito da cruz transforma zombadores em adoradores. O Jesus sofredor se transforma no Deus triunfante apresentado no livro de apocalipse:
            “E virei-me para ver quem falava comigo. E, virando-me, vi sete castiçais de ouro; e, no meio dos sete castiçais, um semelhante ao Filho do Homem, vestido até aos pés de uma veste comprida e cingido pelo peito com um cinto de ouro. E a sua cabeça e cabelos eram brancos como lã branca, como a neve, e os olhos, como chama de fogo; e os seus pés, semelhantes a latão reluzente, como se tivesse sido refinado numa fornalha; e a sua voz, como a voz de muitas águas. E ele tinha na sua destra sete estrelas; e da sua boca saía uma aguda espada de dois fios; e o seu rosto era como o sol, quando na sua força resplandece. E eu, quando o vi, caí a seus pés como morto; e ele pôs sobre mim a sua destra, dizendo-me: Não temas; eu sou o Primeiro e o Último e o que vive; fui morto, mas eis aqui estou vivo para todo o sempre. Amém! E tenho as chaves da morte e do inferno” (Apocalipse 1. 12 ao 18).



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