domingo, 18 de dezembro de 2011

O Fruto do Espírito - Alegria.


Alegria

Por Alexfábio Custódio.

Para aproveitar melhor essa matéria leia os artigos anteriores: Introdução, Amor. 
(Os personagens desse conto são fictícios, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência).

Débora é apenas mais um dos muitos exemplos de vidas marcadas pelas mazelas sociais. Ela viveu os vinte primeiros anos de sua existência cercada de miséria e desesperança.

Maria das Dores, a sua mãe, lhe concedeu dentro de um prostíbulo, assim como as suas duas irmãs mais novas, todas de pais diferentes e ausentes.

Por muitas vezes ela e as meninas passaram fome. Cansada daquela vida dona Maria conseguiu um serviço em uma fábrica e um barraco na favela próxima ao serviço.

A infância das meninas não foi fácil. Elas não se lembram de festas de aniversário, presentes de natal ou ovos de chocolate na páscoa. Por muitas vezes os jantares da família era à luz de velas devido ao corte do fornecimento de energia elétrica. Elas sempre tinham as roupas e materiais mais simples da escola.

Outras memórias bizarras era a dos namorados que a mãe arrumava. Alguns até que eram legais, mas não queriam compromisso sério, ficava evidente que o número de crianças os assustava. Duro mesmo eram os violentos, homens que bebiam e queriam bater em Maria e suas filhas. Nesses momentos dona Maria virava uma guerreira para defender as suas filhas, ela nunca permitiu que nenhum homem tocasse em suas meninas. Houve um que foi parar na cadeia quando ela o viu querendo abusar da Débora, nessa época com doze anos.

Quando Débora completou quinze anos a sua mãe adoeceu, em pouco tempo ela estava incapacitada e destinada a passar o resto da vida em uma cama. Passou a ser responsabilidade da filha mais velha suster o lar.

Não é necessário afirmar o quanto foi difícil para ela. A jovem que apenas estudava passou a acordar todos os dias às cinco da manhã para colocar a casa em ordem e sair para o serviço de doméstica em um bairro distante. O dinheiro era o suficiente para manter o nível baixo da casa e pagar uma senhora para cuidar da sua mãe.

Para não desistir dos estudos ela passou para o horário noturno. Todos os dias ela chegava ao final da tarde em casa, tomava um banho rápido e saia para o colégio, deixando a responsabilidade de cuidar da mãe e do jantar nas mãos das irmãs.

Ela só chegava em casa próximo à meia noite, jantava rapidamente e deitava para não dormir.

Sim, para não dormir, apesar de cansada ela não conseguia pegar no sono facilmente. Muitas foram as noites que ela passou em claro com o travesseiro no rosto sufocando os soluços e enxugando as lágrimas.

Por quê? Por que ela não poderia ser como as outras moças de sua idade? Por que ela precisava ter as mãos marcadas pelo trabalho? Por que ela não poderia somente pensar em bandas e namorados ao invés de contas de mercado e farmácia? Por que ela passava dias sem sorrir?

Dois anos mais tarde ela conheceu Marcelo, um rapaz que morava no bairro e que vês ou outra ia ao colégio. Eles começaram a namorar e logo ela descobriu que Marcelo era um marginal, chefe de uma gangue que assaltava lojas e supermercados.

O rapaz encheu a cabeça da jovem morena de promessas, começou a mandar mantimentos para a casa e queria que ela se tornasse sua mulher. No domingo seguinte ela decidiu ir à casa de Marcelo para aceitar a sua oferta. Chegando lá ela ouviu um murmurinho e encontrou o rapaz em uma “festinha” com duas moças e muita droga.

Parecia que ela iria morrer de tanta tristeza. Porém, a segunda-feira lhe reservava fortes emoções. Chegando à casa onde ela trabalhava a patroa lhe esperava com uma novidade:

- Débora, eu tenho uma notícia para te dar.

- O que foi dona Sônia?

- Meu marido foi transferido para outra cidade, não vamos mais precisar do seu serviço, sinto muito meu bem...

Se a ex-patroa disse mais alguma coisa ela não se lembra, a próxima cena em sua memória é a dela sentada em um banco de praça com o rosto banhado em lágrimas.

Nesse momento algo inusitado lhe arrancou das sombras da depressão. Uma moça aproximadamente da sua idade vinha equilibrando de uma forma desajeitada várias caixas, o resultado foi uma queda e os objetos espalhados pela praça. A garota que havia caído sentada começou a rir de tudo aquilo.

Quando ela começou o trabalho de empilhar novamente as caixas Débora resolveu oferecer ajuda.

- Muito obrigada, estou mudando para uma república universitária aqui perto e pensei que podia levar isso tudo sozinha. –Disse a moça que não parava de sorrir. – Aliás, eu me chamo Priscila.

As garotas chegaram à república e Priscila ofereceu um refrigerante a Débora. Disse que estava vindo da cidade vizinha para cursar direito. Ela iria trabalhar durante o dia e estudar de noite.  Quando Débora disse que fazia o mesmo e que havia acabado de perder o serviço, Priscila lhe informou que a dona da república estava procurando uma diarista.

Nesse dia nasceu uma grande amizade. Débora gostava de trabalhar naquela república para moças, principalmente por causa de sua amiga. Com o tempo ela começou a conhecer todas as moças e percebeu que a Priscila era diferente. Em seu quarto humildemente mobiliado a diarista nunca achou resíduos de bebidas, cigarros ou preservativos. A maior excentricidade de Priscila era a quantidade de refrigerante de uva que ela consumia.

Durante as férias todas as meninas viajavam para suas cidades, menos Priscila, ela precisava trabalhar. Como a sua família morava na cidade vizinha ela ia passar um final de semana com eles a cada quinze dias.

Débora começou a freqüentar o local nos finais de semana que a amiga ficava na cidade, a intimidade cresceu. A diarista descobriu que a amiga era filha de um pastor, isso explicava algumas coisas. A presença da amiga lhe alegrava, como era fácil rir com a Pri! Na manhã de um sábado elas estavam tomando refrigerante (de uva) e conversando no quarto de Priscila quando o telefone tocou. Priscila atendeu e ficou visivelmente preocupada:

- Sim eu entendo. – Disse a jovem ao celular. – Eu só peço mais alguns dias para poder regularizar a situação. Obrigada.

Quando a amiga desligou o aparelho Débora lhe perguntou se tudo estava bem. A jovem respondeu:

 - Era da faculdade, estou com duas mensalidades atrasadas.

Débora ficou surpresa, ela não imaginava que Priscila tivesse problemas financeiros.

- O que houve? Você ganha tão bem.

- Sim. Mas meu pai está doente e precisei ajudar com as despesas de seu tratamento.

Suspirando profundamente Priscila disse:

- Sabe Deby nossa vida nunca foi fácil...

Então ela contou como o pai abandonara um bom trabalho para atender ao chamado pastoral. Ela já não se lembrava de quantas congregações eles haviam fundado e dirigido. Ela lembra dos momentos em que toda a família orava para que Deus enviasse mantimentos, desde cedo ela aprendera que obreiro da obra de Deus tem que saber comer da mão dos outros, e ainda tinham que escutar as pessoas os acusando de roubar o dinheiro dos fiéis.

Quando finalmente eles estavam fixos em uma igreja o pastor Júlio descobriu que estava com câncer no estômago. E há três anos eles lutam contra essa doença, ela precisava abrir mão dos desejos e mimos da mocidade para ajudar no lar.

No final de seu testemunho Priscila percebeu que a amiga lhe olhava com os olhos arregalados pela surpresa. Meio acanhada ela perguntou:

- O que foi? Por que você está olhando assim para mim?

- Pri, a sua história é parecida com a minha, porém você é a pessoa mais alegre que eu conheço! Como pode ser isso?

Com um sorriso carinhoso no rosto Priscila explicou à amiga que o cristão possui a segurança da presença de Deus. A presença de Jesus na vida de uma pessoa produz alegria mesmo em meio à tempestade, louvor mesmo encarcerado, gozo mesmo em tribulação.

- Eu preciso dessa alegria amiga. – Disse Débora entre muitas lágrimas. – Não suporto mais viver em amargura.

Débora reconheceu que precisava da presença de Jesus. Logo toda a sua família estava servindo ao Senhor, a sua mãe teve uma melhora impressionante no seu quadro clínico, os médicos afirmaram que era um milagre ela poder andar sem a ajuda de muletas. Débora conseguiu terminar o ensino médio e entrou em uma faculdade pública, ela começou o curso de Letras.

Alguns meses depois Priscila lhe apresentou um amigo, que logo se tornou o seu namorado. Mais tarde Alexandre lhe confessou uma coisa:

- Débora esse teu sorriso lindo e constante me conquistou!

“...a alegria do Senhor é a vossa força” (Neemias 8. 10).

O gozo, ou alegria, cedido pela presença do Senhor está acima das circunstâncias do cotidiano. O cristão, como todo ser humano, está propenso aos males da vida. Contudo, a plena certeza da presença de Deus é capaz de dissipar as nuvens da angústia.

Na bíblia a alegria cedida por Deus é exaltada acima da prosperidade ímpia (Salmo 4. 6 a 8); Deus converte o choro em alegria (Salmo 30. 11 e 12); Essa alegria nos leva à casa de Deus (Salmo 42. 4) e nos motiva a louvá-lo (Salmo 43. 4); Achamos consolo e alegria em sua palavra (Salmo 119. 92); Nos alegramos em fazer a obra missionária (Salmo 125. 5 e 6); Há alegria quando temos esperança em Deus (Provérbios 10. 28); E o mais importante, mesmo que vivamos uma existência árida, nos alegramos por poder beber da água da fonte da salvação (Isaias 12. 3).

Algumas coisas devem ser ditas sobre a alegria como parte do fruto de Espírito:

1. Como já foi dito antes o cristão vive momentos ruins, e nessas ocasiões lágrimas e outros sinais de tristeza são normais. A diferença é que enquanto o cristão vive a má experiência, Deus já está trabalhando no interior do seu filho, minimizando os efeitos nocivos do episódio e consolando a alma abatida (Provérbios 17. 22).

2. A alegria de Deus é oposta à mundana. A alegria mundana depende de circunstância que venham saciar algum desejo carnal. Alguns buscam a bebida alcoólica para “se soltar”, outros buscam “viagens” nas drogas, outros escolhem viver as experiências de uma vida sexual desregrada e contraditória à vontade divina, etc. Todos são curtos e passageiros, somente uma comunhão plena com Deus preenche o vazio do coração humano.

Conhecer a Jesus é a nossa maior alegria, é impressionante como Jesus irradia alegria por onde passa! Vejamos alguns exemplos:

Maria se alegrou ao perceber que seria mãe do messias (Lucas 1. 47), Isabel e seu filho João Batista (ainda em gestação) se alegraram na presença do Filho da promessa divina (Lucas 1. 42 a 44), Os sábios estrangeiros se alegraram ao encontrar o pequeno menino das profecias (Mateus 2. 10 e 11), O anjo que apareceu aos pastores belemitas lhes anunciou uma notícia de alegria (Lucas 2. 10), João Batista se alegrou ao ver o ministério terreno de Jesus crescer (João 3. 28 a 30), Os discípulos se alegraram com o poder do evangelho (Lucas 10. 17), houve alegria na ressurreição de Jesus (Mateus 28. 8/ Lucas 24. 41).

Amigo leitor, se você ainda não tem a alegria de Deus, há uma boa notícia para o seu coração: Alegre a Deus e você receberá essa tão maravilhosa alegria.

Quer saber como? Reconheça que você tem vivido uma vida triste afastada Dele pelos seus pecados, admita que necessita receber a alegria da salvação, assim você alegra o coração de Deus: “Assim vos digo que há alegria no céu por um pecador que se arrepende” (Lucas 15. 7).

Que a alegria de Deus seja abundante em sua vida e resplandeça em seu rosto como um farol aos perdidos.

“Alegrai-vos sempre no Senhor; outra vez digo: alegrai-vos” (Filipenses 4. 4 Almeida Revista e Atualizada).

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