domingo, 11 de dezembro de 2011

O Fruto do Espírito - Amor.

Amor

Para aproveitar melhor essa matéria leia o artigo anterior: Introdução
(Os personagens desse conto são fictícios, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência).

Por Alexfábio Custódio           

Quando criança Alexandre estava quase sempre sozinho, como único filho de um casal de empresários, ele já estava acostumado a passar horas apenas com funcionários que o observavam de longe.
           
Na escola as dificuldades de socialização eram evidentes. Devido à falta de habilidades esportivas era sempre o último escolhido nas aulas de educação física. Durante o recreio ele sempre lanchava na sala de aula, evitando o murmurinho do pátio cheio de crianças alvoroçadas. E mesmo sendo um aluno acima da média, sempre era difícil organizar um trabalho em grupo devido a sua timidez.

Não demorou muito para Alexandre receber a alcunha de CDF ou nerd, porém isso realmente não o incomodava. O que realmente o angustiava era quando a “turma do Vagão” resolvia aprontar com ele.

Ele deveria ter uns nove anos quando aconteceu o que hoje os terapeutas chamam de bullying. Após mais um lanche isolado na sala de aula Alexandre decidiu beber água antes do início da próxima aula. Para chegar até o bebedouro ele teria que passar pelo corredor que dava acesso as salas de aula.

Vagão e sua turma estavam no corredor, eram meninos mais velhos que tinham a fama de judiar dos menores. Seu líder era Vagner, filho de um político influente na cidade e portador de um condicionamento físico acima da média para a sua idade, isso lhe proporcionou o apelido de “Vagão”.

Alexandre resolveu acelerar os seus passos e nem olhar para os rapazes dessa turma, infelizmente Vagão já havia maquinado um plano para pirraçar com ele. No momento que Alexandre passou pela turma Vagão colocou um pé na sua frente, fazendo o menino tropeçar e seus óculos caírem aos pés de um dos zombadores.

Para quem já foi vítima de alguma dessas brincadeiras sem graça é fácil contar a próxima cena: Vagão segurando os óculos do Alexandre e o menino tentando alcançar enquanto implorava pelo utensílio.

Esse foi apenas o início de uma “relação” conturbada. Com o passar dos anos as brincadeiras se tornaram zombarias. Aos quatorze anos Alexandre estava conversando com uma garota no portão da escola (ele continuava tímido, mas garotos são garotos), quando de repente Vagão esbarra nele de propósito lançando seus livros ao chão. Enquanto Alexandre se recobrava do susto ouvia o rapaz zombar entre gargalhadas:

- Você não tem jeito, sempre no meu caminho mosca morta.

ALexandre estava tão afetado pelo coquetel de raiva e vergonha que não percebeu a menina se abaixando e pegando alguns dos seus livros.

- Não ligue para isso, ele só quer aparecer.

- Ah Priscila, esse cara me perturba há anos, também eu sou esse molenga inútil.

- Não repita isso! Como assim inútil? Não diga mais essa bobagem garoto!

Alexandre ficou surpreso, já conhecia Priscila há alguns meses e nunca havia a visto agir assim.

- É que...

- É que nada, existe uma razão única e maravilhosa por você ser assim, Deus te planejou dessa forma. Você é uma obra-prima e única do Criador, Ele te ama como você é. Sendo assim, faça um favor a  você mesmo e se ame mais um pouco.

Antes que ele pudesse reagir às suas palavras a garota passou carinhosamente as mãos nos cabelos do rapaz e afastou-se com um sorriso.

Uma semente foi plantada no coração de Alexandre nesta manhã. Depois de muito meditar ele decidiu buscar conhecer esse Deus que a Priscila disse que lhe amava.

E ele encontrou! Alexandre passou a freqüentar a igreja de Priscila, compreendeu o plano da salvação e reconheceu que precisava de Jesus. Em pouco tempo já estava batizado e desfrutando do grande amor de Deus.

Anos mais tarde Alexandre se formou em jornalismo e era professor da escola dominical para a classe de jovens. Ele havia conhecido sua noiva Débora na cidade vizinha (eles foram padrinhos de casamento da Priscila), e Deus lhe preparou um bom trabalho no jornal de maior repercussão da cidade.

O seu trabalho de conclusão de curso na faculdade falava dos trabalhos sociais entre os dependentes químicos. Ele mostrou que a união entre serviço social e apoio espiritual era onde estava o maior índice de reabilitados. Esse trabalho lhe rendeu uma nota dez e foi tão elogiado que o editor do jornal onde ele foi trabalhar fez questão de publicá-lo.

Alguns dias depois da publicação Alexandre estava em uma praça lanchando com alguns jovens da igreja, após as despedidas ele foi a pé para casa (seu carro estava na oficina mecânica). Ao passar por uma rua que estava mal iluminada ele ouviu uma voz conhecida.

- Preciso conversar com você Alexandre.

Ao olhar para seu interlocutor Alexandre logo reconheceu o Vagão. Ele estava acompanhado de dois jovens mal encarados, logo os três cercaram o jovem jornalista e Vagão em tom de ameaça disse:

- Escuta aqui mosca morta, aquela sua matéria no jornal atrapalhou os meus negócios. Não sei por que fiquei surpreso ao saber que o tal repórter era você, sempre no meu caminho vacilão! Agora você vai ter o que merece.

Vagão desferiu o primeiro de muitos socos que Alexandre levou, o pior não aconteceu por que alguém que passava viu a cena e gritou por ajuda. Os três marginais correram abandonando Alexandre caído ao chão.

Várias pessoas vieram ajudá-lo, eles decidiram leva-lo ao hospital devido a um corte profundo no lábio. Chegando ao pronto-socorro eles descobriram que o hospital estava superlotado devido a um acidente com um ônibus.

O médico que atendeu Alexandre lhe disse que apesar do infortúnio ele teve sorte, ele estaria com problemas se precisasse de transplante de sangue, o seu tipo sanguíneo estava em falta.

Após vinte minutos ele já estava liberado, ainda abalado com o ocorrido ele desejava ir para casa. Porém, essa noite ainda lhe reservava uma surpresa.

Passando pelo pronto-socorro ele viu uma pessoa conhecida: o deputado Arnaldo, pai do Vagner, e ele estava em prantos.

Um colega de jornal estava ali e ao reconhecer o Alexandre se aproximou.

- Ale você está bem? O que houve contigo?

- Depois eu te conto. O que o deputado está fazendo aqui?

- Cara o filho dele foi baleado em confronto com a polícia ainda a pouco, dois comparsas dele estão mortos e ele está mal. Estou cobrindo o fato e estamos esperando notícias do centro cirúrgico.

O deputado estava conversando com algumas pessoas e um deles apontou para Alexandre, o político se aproximou e, com a voz embargada disse:

- Meu jovem, fiquei sabendo o que aconteceu com você, eu realmente sinto muito e me envergonho dos caminhos trilhados pelo meu filho. Não entendo, ele sempre teve tudo o que queria, me esforcei para fazer dele um homem de bem, mesmo assim...

O deputado se calou ao ver a porta da emergência se abrir e o médico se aproximar.

- O estado do seu filho é critico. Eu extraí a bala, mas ele precisa urgentemente repor o sangue perdido, e o seu tipo sanguíneo está em falta.

Um pensamento rancoroso de justiça feita passou pela mente de Alexandre, Vagão estaria pagando pelos anos de abusos e criminalidade. Ele estava pagando o preço pelos seus atos. Uma oração o trouxe de volta à realidade daquele pronto-socorro.

- Deus, meu filho está morrendo, me socorra Senhor!

Atônito Alexandre viu aquele homem tão influente de joelhos no corredor de um hospital. Com o rosto encharcado de lágrimas ele implorava pela vida de um criminoso.

A cena do pai intercedendo pelo filho fez o jovem se lembrar do grande amor de Deus, de como Deus amava a todos os pecadores, inclusive o Vagão.

Nesse momento uma idéia reluziu em sua mente, ele perguntou ao médico qual o tipo sanguíneo de Vagão, a resposta trouxe lágrimas aos seus olhos. Apoiando as mãos nos ombros do senhor Arnaldo ele disse:

- Eu vou doar sangue para o seu filho.

- Você faria isso? Pelo homem que te espancou?

- Farei pelo Vagner que Deus e o senhor tanto amam.

Os dias passaram, e Vagner se recuperou. No dia que antecedia à sua alta ele pediu a visita de Alexandre. Chegando ao quarto Ale encontrou pai e filho juntos.

- Meu pai me contou o que você fez por mim, eu preciso te perguntar algo: Desde criança eu te perturbo e naquela noite...

Foi a primeira vez que Alexandre viu Vagão chorando, se aproximando do leito ele disse:

- Vagner, um dia eu descobri que Jesus me amava quando nem mesmo eu gostava de mim, nesse dia eu decidi que iria amar a Deus também. Na noite em que você foi baleado eu tive a opção de me vingar, ou te perdoar e amar como Deus fez comigo. Eu escolhi amar e perdoar. Vagner, Deus te amou de uma forma tão preciosa que Ele deu seu filho Jesus para morrer por você, para perdoar os seus erros Ele derramou o seu sangue puro. Mesmo sabendo que você poderia ignorar esse sacrifício, Ele escolheu te amar. Você não acha que Ele merece ser amado de volta? Qual a sua escolha?

“Mas a vós, que ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos aborrecem, bendizei os que vos maldizem e orai pelos que vos caluniam. Ao que te ferir numa face, oferece-lhe também a outra; e ao que te houver tirado a capa, nem a túnica recuses. E dá a qualquer que te pedir; e ao que tomar o que é teu, não lho tornes a pedir. E como vós quereis que os homens vos façam, da mesma maneira fazei-lhes vós também. E, se amardes aos que vos amam, que recompensa tereis? Também os pecadores amam aos que os amam. E, se fizerdes bem aos que vos fazem bem, que recompensa tereis? Também os pecadores fazem o mesmo. E, se emprestardes àqueles de quem esperais tornar a receber, que recompensa tereis? Também os pecadores emprestam aos pecadores, para tornarem a receber outro tanto. Amai, pois, a vossos inimigos, e fazei o bem, e emprestai, sem nada esperardes, e será grande o vosso galardão, e sereis filhos do Altíssimo; porque ele é benigno até para com os ingratos e maus” (Lucas 6. 27 a 35).

Quando se trata de falar do amor de Deus, as palavras de Paulo permanecem convenientes: “Porque o amor de Cristo nos constrange...” (2 Coríntios 5. 14). Como falar de tão grandioso e abnegado sentimento?

Imagine Deus observando a coroa da sua criação mergulhada no charco de lodo do pecado. Observe o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo abandonando a morada celeste para sofrer todas as mazelas da existência humana, ser perseguido, humilhado e morto. Ele preferiu passar por tudo isso a viver uma eternidade afastado da humanidade.

Alguém tão poderoso como Deus não precisava passar por isso! O criador eterno e conhecedor de todas as coisas se humilhar diante de tão ignorantes criaturas? Mesmo sabendo que muitos recusariam tão generosa oferta?

Pois é, mesmo assim Ele escolheu amar. Mesmo sabendo que poderia ser rejeitado, zombado e agredido. O amor de Deus vence as barreiras das expectativas e da reciprocidade.

No trecho acima citado do sermão do monte, Jesus estava ensinando as bases desse tão grandioso amor. Veja os verbos no imperativo (amai, bendizei, oferecei, etc.), Jesus estava nos dando uma preciosa lição sobre o amor. No momento que ele diz que devemos amar, fica implícito que somos capazes disso.

Muitos acreditam que o amor é um sentimento regido pelo coração: “Ah, eu não consigo amar fulano, não sinto nada”. Esse é um grave engano que ocorre nesse mundo guiado pelo hedonismo (busca pela satisfação dos desejos pessoais), onde amamos quem tem algo a nos oferecer.

Quando conhecemos e passamos a desfrutar do bom amor de Deus, o Espírito Santo nos capacita a amar como Ele nos amou. A carteira de identidade espiritual é preenchida pelo amor (João 13. 35), o amor é o vínculo da perfeição (Colossenses 3. 14), o amor é essência do cristianismo (1 Coríntios capítulo 13).

Escolha amar a Deus e à Sua vontade, escolha se amar, escolha amar ao teu próximo e até mesmo os que parecem não merecer serem amados.

Parece difícil? Realmente é! Mas somos capazes, Jesus deu o exemplo!

“Mas Deus prova o seu amor para conosco em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores” (Romanos 5. 8).

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