domingo, 25 de dezembro de 2011

O Fruto do Espírito - Paz


Paz

Por Alexfábio Custódio

Para aproveitar melhor essa matéria leia os artigos anteriores: Introdução, Amor, Alegria. 
(Os personagens desse conto são fictícios, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência).

Amanda estava se preparando para encerrar o expediente, quando a proprietária da Bianca Modas lhe chamou em sua sala.

- Sente-se Amanda. Como está querida?

Bianca sempre tratava as suas funcionárias por “querida”, e fazia questão de proporcionar um agradável ambiente de trabalho.

- Estou bem Bianca, graças a Deus!

- Que bom. Você sabe que hoje é o último dia da Monique aqui na loja certo?

Monique era uma amiga de infância da Bianca e gerente da loja há muitos anos. Agora ela estava prestes a abrir a sua própria loja de calçados.

- Sim – respondeu Amanda – ela vai fazer muita falta, todas as meninas gostam dela. Mas eu fico feliz por ela poder realizar esse sonho tão antigo.

- Eu também. Mas, eu te chamei aqui para te fazer uma proposta. Desde que você começou a trabalhar conosco eu gostei de sua postura diante das colegas e dos clientes. Você é dedicada, educada e prestativa, e eu ficaria feliz se você aceitasse o cargo de gerente da loja.

Não houve como Amanda disfarçar a surpresa causada por aquela oferta, enquanto enxugava algumas lágrimas com as costas das mãos ela respondeu:

- Claro que aceito, espero corresponder à sua expectativa.

- Vai sim querida. – Disse a patroa apertando carinhosamente a mão da funcionária – Vamos dar a notícia para as suas colegas?

As duas foram para o salão principal da loja, nesse instante as portas já estavam fechadas e as funcionárias se preparavam para sair. Bianca chamou a Monique para perto dela e pediu a atenção de suas funcionárias.

- Queridas vocês sabem que hoje vamos nos despedir da Monique, por anos ela tem sido meu braço direito, além de uma grande amiga. Não tenho como agradecer tantos anos de carinho e fidelidade, mesmo assim eu comprei um presentinho para você minha amiga.

As duas mulheres se abraçaram emocionadas e todas aplaudiram. A Proprietária prosseguiu:

- Aproveito esse momento para comunicar a todas que, a partir de segunda-feira, a Amanda será a nossa nova gerente.

Amanda estava tão contente que não percebeu que havia um semblante fechado entre tantas felicitações.

Mais tarde, quando chegou em sua casa, a jovem senhora procurou o seu marido e o encontrou no escritório estudando a bíblia.

- Amor eu tenho uma grande notícia, Jesus nos ouviu, eu fui promovida a gerente da loja!

O pastor Júlio abraçou a sua companheira e lhe felicitou pela conquista. Realmente eles estavam orando há alguns dias para que Deus os ajudasse a aumentar o orçamento doméstico.  O pastor estava enfrentando um câncer de estômago e a filha deles (Priscila) estava cursando a faculdade de direito na cidade vizinha.

Durante a sua primeira semana no novo cargo Amanda foi orientada pela patroa, ela precisava aprender a lidar com questões administrativas e a resolver problemas internos. O seu primeiro teste ocorreu após um mês no cargo.

Ela chegou à loja cumprimentando todas as colegas, como sempre fazia desde o tempo de vendedora, e foi para a sala da administração. Por volta das onze horas uma das vendedoras entrou na sala com uma notícia desagradável:

- Amanda, a Cláudia está com problemas com uma cliente. Elas estão discutindo.

Quando Amanda viu a “cliente” ela logo entendeu tudo, era uma senhora esposa de um comerciante influente da cidade. Por muitas vezes ela tratava de modo esnobe as vendedoras. A “Dona Encrenca” (apelido dado pelas vendedoras) estava acusando a vendedora de ter mandado entregar uma peça danificada em sua casa. E a Cláudia não conseguiu manter a compostura, partindo para uma “conversa inflamada” com a cliente.

Amanda conseguiu contornar a situação com a cliente, e depois de alguns minutos chamou a vendedora em sua sala. Cláudia entrou visivelmente ainda muito nervosa. A gerente a convidou a sentar e disse:

- Cláudia eu sei que a “Dona Encrenca” é difícil de tolerar, mas...

- Não me enche com essa sua conversinha fiada Amanda, se você vai me despedir faça sem sermão, por favor.

Surpreendida pela explosão da vendedora Amanda tentou acalma-la.

- Calma Cláudia...

- Quer saber que vá tudo pro inferno! Não suporto essa sua pose de “santinha”. Estou aqui há muito mais tempo que você, conheço todo o serviço dessa loja, mas na hora de promover alguém a Bianca escolheu você. E ai? Vai me despedir ou não?

Amanda pensou mesmo em despedi-la. A Bianca havia sido muito clara sobre insubordinação. Entretanto, Amanda lembrou-se que um dia as vendedoras haviam lhe contado a história da Cláudia.

Ela havia sido abandonada pelo marido, dizem que eles sempre brigavam. E agora ela tinha que sustentar os seus dois filhos sozinha.

Amanda lembrou-se de como é triste passar dificuldades financeiras por falta de emprego. A sua família já havia vivido momentos de panelas vazias, ela decidiu engolir o orgulho e dar uma chance àquela mãe. Com voz firme ela disse á vendedora:

- Respeite à Bianca e as suas escolhas. Eu não vou te despedir, embora você mereça, vá para sua casa e tente se acalmar, amanhã conversamos.

A vendedora saiu deixando a porta da sala aberta, uma das funcionárias foi conversar com a gerente.

- Tudo bem Amanda?

- Sim, estou bem, obrigada.

- Por que você não a despediu? Isso foi ridículo, ela não podia gritar daquela forma contigo.

- Obrigada pela preocupação, fique tranqüila que eu vou cuidar desse assunto. Estou bem, pode voltar ao trabalho.

No dia seguinte Amanda percebeu que a Cláudia não foi trabalhar. O comentário que circulava pela loja é que ela havia desistido do serviço.

Amanda ficou triste com aquela decisão, ela não queria que aquela família passasse por privações que poderiam ser evitadas. Seguindo a orientação da patroa ele buscou no em uma gaveta da escrivaninha uma pasta com currículos de pessoas dispostas ao cargo de vendedora.

Porém, algo ainda a incomodava, ela decidiu orar. E durante a sua oração ela percebeu que deveria procurar a Cláudia e lhe oferecer mais uma chance.

Ela já ia saindo para isso quando a Bianca chegou. Era o dia de fechamento mensal e a duas trabalharam durante várias horas. Quando Amanda finalmente estava livre para sair o expediente havia terminado.

Ela ainda estava disposta a ir à casa da vendedora, entretanto, ele tinha um compromisso na igreja (ela seria a pregadora do culto feminino).

Durante a reunião um texto bíblico abalou o seu coração. Uma das irmãs estava lendo a passagem de Efésios 6. 13 a 17, onde está registrada a analogia da armadura de Deus. O trecho: “e calçados os pés na preparação do evangelho da paz”, soou ao seu coração como mais uma confirmação divina ao anseio de visitar a Cláudia.

Ao chegar em casa ela avisou ao marido que iria sair com o carro.

- Quer que eu vá junto?

- Não precisa meu amor, estou indo visitar uma funcionária que está com problemas.

O endereço registrado na ficha da Cláudia era de um bairro mais afastado do centro da cidade. Chegando ao local ela ia bater à porta quando ouviu um grito de dentro da casa:

- Vão dormir logo moleques, será possível que nem em casa eu tenho paz?

Amanda resolveu esperar alguns minutos, quando ela percebeu somente o som da TV ligada, então bateu no vidro da porta de aço.

Cláudia atendeu a porta e mostrou-se surpresa ao ver quem lhe visitava.

- Amanda? O que faz aqui?

- Você não foi trabalhar, então resolvi te visitar.

- Entre, não repare a bagunça dos meninos.

- Não se preocupe, está tudo bem?

- Na verdade eu fiquei com vergonha de encarar você e as meninas. Aliás, me perdoe. Você sempre foi tão prestativa, não merecia ouvir aquelas palavras.

- Está tudo bem Cláudia – Disse Amanda enquanto olhava algumas fotografias emolduradas na parede. Na maioria delas aparecia um homem com um violão e uma menina cantando ao seu lado.

- Sou eu e meu pai. – Explicou a vendedora apontando para as fotos. – Ele sempre me disse que eu cantava bem e nós fazíamos shows juntos. Isso até o dia que ele morreu em um acidente voltando de uma apresentação.

- Você não cantou mais?

- Minha mãe não deixava, dizia que eu tinha que trabalhar que esse negócio de música era um devaneio que matou meu pai. – Nesse momento a sua voz embargou com lágrimas ela continuou. – Minha mãe nunca me motivou, sempre brigávamos. Até o dia que conheci o pai dos meninos e resolvi sair de casa. Que ilusão! Ele é viciado em jogo e perdia todo o dinheiro no carteado, o resto você sabe.

Amanda pegou as mãos da funcionária e a puxou para dentro de um abraço maternal, por alguns minutos Cláudia chorava compulsivamente. Após isso Amanda disse:

- Vá trabalhar amanhã, mas hoje eu quero orar por você, posso?

Cláudia concordou apenas balançando a cabeça, depois da oração ela agradeceu a visita e disse a Amanda:

- Eu estava tão perturbada, mas agora estou bem, já não me lembro há quanto tempo eu sentia essa paz, obrigada Nanda.

No final de semana Amanda teve uma grande surpresa, ao chegar à igreja para o culto ela viu Cláudia e os seus filhos sentados na primeira fila. Após a mensagem os três aceitaram o convite para receber Jesus como Senhor e Salvador de suas almas.

Dois anos mais tarde, em uma noite muito especial, Cláudia deu esse testemunho para uma igreja lotada:

- Agradeço a todos os que estão aqui nessa noite para participar desse momento tão especial. Há um pouco mais de dois anos eu era uma pessoa derrotada, me considerava uma infeliz sem sorte na vida, e culpava a Deus por isso. Agradeço a Jesus por ter colocado a Nanda em minha vida, em um momento de crise ela me passou paz. Sou grata a Jesus por hoje eu ter paz com Deus, comigo mesma e com a minha família (apontando para a mãe). Agradeço ao apoio do meu marido Jonas (que conheceu na igreja) e de meus filhos Maurício e Ricardo. Hoje eu tenho paz, e o nome desse meu primeiro CD não poderia ser outro: Príncipe da Paz!

“Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como o mundo a dá” (João 14.27).

A comunhão com Deus nos concede uma paz que transcende o conceito mundano de paz. Enquanto para muitos paz é o período entre uma guerra e outra, para o cristão paz é a serenidade em todos os momentos. Essa paz fornece ao cristão uma fortaleza em momentos de crise. É por causa dessa paz que o cristão louva a Deus na adversidade. O fiel tem a certeza que Deus está no controle da situação, e que Ele tem poder para mudar a situação. “Muita paz têm os que amam a tua lei, e para eles não há tropeço” (Salmo 119. 165).

A paz de Deus gera harmonia na comunidade cristã. Saudações como “Graça e paz”, ou “A paz do Senhor”, tão comuns em nossas igrejas, refletem o desejo de unidade do corpo de Cristo. Através da paz cedida por Jesus temos paz com Deus (Romanos 5. 1), paz interior (Colossenses 3. 15) e paz com os homens (Romanos 12. 18).

Não é de se admirar, que com tanta paz investida em sua alma, que o cristão se torne um pacificador. O desejo de paz supera as diferença, respeita a individualidade e alcança soluções para os conflitos. O pacificador repudia os conselhos secretos de guerra e ama os acordos de paz! “Engano há no coração dos que maquinam mal, mas alegria têm os que aconselham a paz” (Provérbios 12. 20).

A paz de Cristo é o farol da serenidade. É por isso que muitas almas são alcançadas após ouvir o evangelho em momentos tempestuosos. Talvez nesse momento o amigo leitor esteja à deriva na escuridão do desespero. Saiba que a terra firme está próxima, confie em Deus e você será colocado sobre a Rocha Eterna da salvação e encontrará a paz.

Existe uma certidão que comprova o novo nascimento do cristão. Não é o certificado de batismo, nem o cartão de membro de alguma denominação, e sim a manifestação da paz de Deus:

“Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5. 9)”.


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