domingo, 1 de janeiro de 2012

O Fruto do Espírito - Paciência.

Paciência.

Por Alexfábio Custódio.

Para aproveitar melhor essa matéria leia os artigos anteriores: Introdução, Amor, Alegria, Paz

(Os personagens desse conto são fictícios, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência

Beatriz nasceu em uma família de classe média alta. Desde a sua tenra infância ela esteve cercada de mimos e cuidados dos seus pais. Muitos foram os investimentos em sua vida: Aulas de música e canto, cursos de idiomas e tecnológicos, tudo visando um futuro promissor.
            
Tamanho esforço era recompensado, Beatriz estava acostumada a ter todos os seus desejos realizados.

Anos mais tarde, durante a sua faculdade de Direito, ela conheceu Arnaldo, um jovem advogado que se tornaria seu marido.

A vida seguia como planejada desde a sua infância: Um belo casamento, uma vida financeira estável, e um filho após dois anos de casada.

Beatriz e seu marido se tornaram pessoas influentes na sociedade. Arnaldo se engajou na política, e em poucos anos se tornou um dos deputados mais votados em seu estado. Beatriz trabalhava como promotora e apoiava vários eventos filantrópicos em todo o estado, principalmente em prol de crianças abandonadas, o que lhe rendeu o apelido de “tia Bia” entre os pequeninos.

A promotora sempre se considerava feliz. Arnaldo era um bom marido e um político honesto, seu filho Vagner crescia cercado dos mesmos cuidados que ela havia recebido, e ainda podia realmente ajudar muitas famílias que não tiveram a mesma sorte que ela.

Para completar o quadro de felicidade em sua vida, Beatriz teve um encontro poderoso com Deus. Durante reunião em uma casa de recuperação para dependentes químicos, ela reconheceu um dos funcionários da instituição.

Porém, ela não acreditava no que estava vendo. Aquele jovem era filho de um casal que ela ajudava há alguns anos, um traficante violento e perigoso. E agora ele estava trabalhando ali?

A surpresa aumentou quando o pastor da igreja que mantinha a casa chamou o Paulo para testemunhar. O jovem contou como ele havia sido alcançado pelo evangelho e liberto das drogas em uma instituição como aquela.

Após a reunião o rapaz a procurou, e com um sorriso no rosto disse:

- Tia Bia eu quero agradecer tudo o que a senhora fez por minha família. Principalmente nos meus dias no “movimento”.

- Não precisa agradecer Paulo, fico feliz em te ver reabilitado.

- É o poder de Deus em minha vida tia. Descobri que Jesus me amava, mesmo eu sendo um traste, um criminoso. E pela poderosa graça estou aqui.

Essas palavras emocionaram a Beatriz. Ela passou a cooperar com a casa, visitar a igreja, e quando percebeu, ela também havia sido alcançada pela graça de Deus!

Arnaldo recebeu bem essa novidade, a acompanhava à igreja nos Domingos, mas ainda não demonstrava compromisso verdadeiro. Ela tentou criar em Vagner o costume de frequentar a igreja, mas o menino sempre procurava meios de escapar.

A rotina prosseguiu, dois anos depois que Arnaldo foi eleito deputado federal, a vida daquela família entrou em parafusos.

Beatriz estava notando algo esquisito em seu marido, ela o conhecia o suficiente para saber que ele estava escondendo alguma coisa. Em várias ocasiões ela tentou descobrir o que estava errado, mas foi em um culto que a “bomba” estourou.

O deputado sempre fazia questão de ficar até o final do culto, para manter um contato com os irmãos e eleitores. Porém, certa noite o pastor estava pregando sobre “O valor de um bom nome”. Falava sobre sinceridade, integridade e honestidade. Após o termino da mensagem Arnaldo falou à sua esposa:

- Vamos embora, agora!

Mesmo sem entender ela foi com ele, e desse dia em diante as visitas do deputado à igreja foram ficando menos freqüentes, até o dia que ele não ia mais. E não adiantava insistir, ele não fazia objeção quanto à fé dela, mas ele não iria.

Nesse mesmo período começaram os problemas com o Vagner. Ele já possuía um histórico de indisciplina na escola. Muitas vezes seus pais tiveram que ir ao estabelecimento de ensino resolver casos de desacato aos professores, e também de maus tratos a outros alunos.

Durante uma faxina, a empregada da casa encontrou um pacote escondido no quarto do Vagner, ela não precisava abrir para saber o que era, e entregou as drogas a Beatriz. O casal esperou o filho para poder conversar sobre a descoberta, porém Vagner não voltou para casa nessa noite.

Já eram mais de dez horas da manhã, horário em que a casa deveria estar vazia, quando o rapaz chegou sujo e com visíveis sinais de ter estado em uma briga.

Várias foram as desculpas do jovem: “Não são minhas, são de um amigo”, “Não sou usuário”, “Entrei na briga para defender esse amigo”. Todavia, os próximos meses revelariam mais momentos semelhantes.

Beatriz começou uma campanha de oração por sua família. O que antes parecia um feliz cruzeiro marítimo, estava se tornando um segundo Titanic. Ela queria seu marido de volta ao seu lado na igreja, e seu filho liberto dessas más influências.

Anos se passaram, e o quadro, em relação ao Vagner, havia piorado. Ele havia saído de casa e muitos rumores diziam que o rapaz era líder de uma perigosa quadrilha.

Beatriz se sentia desanimada, tanto tempo sem uma resposta divina lhe tornou uma pessoa amargurada. Ela estava prestes a abandonar tudo quando recebeu uma visita da irmã Nilza, a esposa de um médico da cidade e companheira de Beatriz na filantropia.

- Bia, você está sumida mulher, preciso de sua companhia.

- Não sei Nilza, não estou legal...

- Levanta e resplandece filha do Altíssimo. Venha comigo em uma visita.

Nilza sempre foi uma crente que irradiava alegria, Beatriz resolveu ir com a amiga e confidente. Durante o trajeto para o hospital ela desabafava todas as suas angústias de desapontamentos.

- Amiga tenha fé e seja paciente. Deus está ouvindo o seu clamor.

- Tem mais de quatro anos que sofro sozinha. Meu marido afastado da igreja, meu filho na criminalidade. Por que Deus não me atende?

A pergunta ficou sem resposta, elas haviam acabado de chegar ao hospital. Quando entraram no quarto Beatriz reconheceu a pessoa que estavam visitando.

A irmã Rute era uma diaconisa da igreja, sempre disposta a servir e com um sorriso no rosto. Há algum tempo ela descobriu um câncer no útero, que havia se espalhado pela corrente sanguínea, comprometendo todo o organismo.

Beatriz se assustou com a figura diante de seus olhos, Rute era uma mulher muito bonita, e agora estava quase sem cabelos e com o corpo minguado pela enfermidade.

A mulher se alegrou profundamente ao ver as duas irmãs entrarem em seu quarto, por vários minutos elas conversaram e oraram. Quando Rute pediu um pouco de água Nilza se ofereceu para buscar. Após isso Rute disse à amiga.

- Irmã Beatriz, me desculpe, mas não pude deixar de notar o seu desconforto com a minha situação.

- Não irmã, é que...

Rute colocou sua mão sobre as mãos de Beatriz e disse:

- Bia, Jesus mudou minha vida, me deu um marido maravilhoso, lindos filhos e por quinze anos eu desfrutei dessas dádivas. Essa enfermidade pode roubar minha beleza e saúde, mas não pode usurpar minha confiança no Deus de minha salvação.

Nesse momento entrou uma enfermeira no quarto dizendo:

- Preciso ficar alguns momentos a sós com a nossa querida paciente.

Quando a Nilza voltou com a água, encontrou a Beatriz visivelmente emocionada.

- Amigo tenho agido como uma menina mimada para com Deus. Cresci acostumada a ter tudo nas mãos, e bastou essa adversidade para eu querer desistir. Olhe a Rute, mesmo com muitas dores ela é conhecida como “querida paciente”. Eu preciso ser conhecida dessa forma por Deus!

Beatriz voltou a orar bravamente por sua família. Depois de aproximadamente um ano, Deus finalmente lhe respondeu. Ela estava visitando uma igreja em outra cidade, quando o pregador interrompeu a sua mensagem e disse:

- Irmãos, eu sinto a direção de Deus para lhes dizer algo. Hoje alguém aqui vai receber uma notícia terrível, porém não desanime, o Senhor vai tornar esse mal em bem!

Mais tarde, enquanto jantava, Beatriz recebeu por telefone a notícia que seu filho havia sido baleado em confronto com a polícia. Arnaldo estava enviando um jatinho para buscá-la.

Durante o vôo ela se lembrou das palavras do pregador e orou a Deus dizendo: ”Deus, sinto que o Senhor falou aquelas palavras para mim. Meu filho é um presente Teu meu Pai, desculpe se falhamos na sua criação. Deus eu quero meu menino vivo, mas me rendo à sua vontade”.

Chegando ao hospital Arnaldo veio emocionado lhe dar as notícias:

- Amor aconteceu um milagre! O Vagner estava muito mal, iria morrer por falta de sangue para transfusão, mas um rapaz crente que havia sido agredido por ele, ofereceu o próprio sangue para o Vagner.

Entre muitas lágrimas ele continuou:

- Amor me perdoe, eu estou envolvido com alguns desvios de verbas, prometo a você que vou me concertar com Deus. Seja paciente comigo...

 - Claro meu amor, serei sim.


Sede vós também pacientes, fortalecei o vosso coração, porque já a vinda do Senhor está próxima” (Tiago 5. 8).

A paciência, virtude vinculada ao fruto do Espírito, é a capacidade que o cristão adquire para suportar as adversidades, sem vacilar na fé.

Ninguém gosta de momentos adversos, a tribulação tem o poder de lançar os sentimentos humanos em um abismo. Tristeza, ira, murmurações, isolamento social, contendas, esfriamento na fé, desvio do caminho da santidade, esses são apenas alguns dos sintomas malévolos que a tribulação pode trazer à alma humana.

Infelizmente muitas pessoas caem no abismo da tribulação por não conhecer o “cabo de segurança” chamado paciência.

Casamentos são maculados por atitudes ásperas em momentos de crise; Sociedades são desfeitas por desconfianças quando os negócios estão fracos; pessoas se afastam do evangelho por acharem que Deus não ouve a sua súplica; Esses são alguns exemplos de ações movidas por falta de paciência.

“Fortalecei o vosso coração”, o apóstolo Tiago está dizendo: Não desanimem, tenham coragem, “porque já a vinda do Senhor está próxima”.

Diante do abismo da tribulação, o cristão deve agarrar o “cabo de segurança” da paciência e esperar o socorro do alto, “Esperei com paciência no SENHOR, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor” (Salmo 40. 1).

Quando Jesus alertava os seus discípulos acerca das perseguições, Ele os avisou que até parentes próximos os trairiam e entregariam aos perseguidores. Entretanto, eles não deveriam se preocupar, por que até as suas palavras seriam guiadas por Ele. Em Lucas 21. 29 Ele deixa um conselho:

“Na vossa paciência, possuí a vossa alma”; ou seja, fiquem firmes, perseverem, e permanecerão vivos e salvos.

Paulo nos mostra que a tribulação é a oportunidade para desenvolver-mos a paciência (Romanos 5. 3), o exercício da paciência evita a precipitação (Provérbios 14. 29).

Vivamos a lição do agricultor citado por Tiago (5. 7): “Sede, pois, irmãos, pacientes até a vinda do Senhor. Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba a chuva temporã e serôdia”. Todos os anos milhares de agricultores semeiam esperando as chuvas que eles não vêem, mas acreditam que virão. Depositemos nossas esperanças em Deus, e aguardemos com paciência o Seu agir.

“Porque, em esperança, somos salvos. Ora, a esperança que se vê não é esperança; porque o que alguém vê, como o esperará? Mas, se esperamos o que não vemos, com paciência o esperamos” (Romanos 8. 24 e 25).

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