domingo, 8 de janeiro de 2012

O Fruto do Espírito - Benignidade.

Benignidade.

Por Alexfábio Custódio.

Para aproveitar melhor essa matéria leia os artigos anteriores:

(Os personagens desse conto são fictícios, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência).

Terror é definido no dicionário como algo que produz grande pavor ou apreensão. No cotidiano essa definição acaba influenciada pelo psique de cada pessoa. Algumas pessoas têm medo de escuro, de lugares fechados, de multidões, etc.

Para os gêmeos Maurício e Ricardo, o que lhes “tocava o terror”, era a presença do primo Edson.

Os últimos dois anos haviam sido marcados por boas mudanças na vida dos garotos. Eles e a mãe (Cláudia) passaram a frequentar a igreja. Eles gostavam da Escola Dominical e de cantar com as outras crianças. A mamãe também estava diferente, mais calma e carinhosa com eles!

Depois de algum tempo a mãe começou a namorar um homem chamado Jonas. Ele os levava para jogar futebol e brincava com eles, não demorou muito para os meninos se apegarem a ele. Em poucos meses Jonas e Cláudia se casaram.

Com o casamento veio a necessidade da família se mudar para uma casa maior, e eles conseguiram uma próxima da igreja. Os meninos teriam de mudar para a escola do novo bairro, contudo eles estavam felizes com a mudança, a nova casa teria um quarto para cada um deles.

Quando a mãe gravou o seu primeiro CD como cantora evangélica, ela começou a receber convites de muitas igrejas para apresentações. Infelizmente, ela não poderia levar os meninos em todas as viagens. Surgiu então a necessidade de uma pessoa para cuidar dos dois jovenzinhos de dez anos.

A família estava voltando de um passeio e os pais resolveram parar em uma pizzaria para jantar. Quando eles estavam fazendo o pedido uma mulher se aproximou da mesa onde eles estavam, com uma expressão surpresa ela disse:

- Cláudia, há quanto tempo prima.

A mãe dos garotos precisou de alguns segundos para reconhecer aquela jovem senhora. Mas depois ela levantou-se e disse:

- Simone, como você está diferente mulher! Bem mais bonita do que aquela menina magricela que brincava comigo!

As primas se abraçaram e nesse meio tempo um homem e um garoto também se aproximaram.

- Esses são meu marido Marcos, e meu filho Edson.

Cláudia também apresentou a sua família e as duas famílias resolveram dividir a mesa naquela noite. Bastou alguns minutos de conversa para eles descobrirem que eram praticamente vizinhos, e que os três meninos estudariam na mesma escola.

Alguns dias depois, Cláudia estava visitando a prima e lhe contou sobre a necessidade de alguém para cuidar dos gêmeos durante as suas viagens. Simone se ofereceu para ficar com os meninos, eles poderiam brincar com o Edson.

Alguns dias depois, lá estavam os garotos com mochilas nas costas, prontos para um final de semana na casa do primo. Edson era dois anos mais velho que Maurício e Ricardo, e logo eles descobririam algumas facetas da personalidade do primo.

Para começar, Edson era um mau perdedor! Diversas partidas de vídeo-game foram reiniciadas por que o garoto estava perdendo. Ele sempre era o herói nas brincadeiras com os bonecos, e não gostava de ser contrariado pelos primos.

Durante uma dessas brincadeiras, Edson arremessou um boneco por cima do sofá, e que acabou derrubando uma peça decorativa de vidro.

O barulho da peça se quebrando chamou a atenção da Simone. Quando ela perguntou o que aconteceu, Edson disse que era culpa dos primos.

Simone contornou com calma a situação de acusações que surgiu nesse momento. Infelizmente para os gêmeos, esse era apenas o início de um histórico de abusos. Porém, crianças são crianças! E logo-logo os três estavam brincando juntos novamente.

Edson apresentou os primos aos amigos da vizinhança, a diversão da turminha era jogar futebol na rua nos finais de tarde. Certa tarde eles estavam sentados em uma calçadão conversando, quando um senhor passou olhando de forma ameaçadora para todos.

- Quem é esse homem? Perguntou o Maurício.

- Ele é o dono da casa da esquina, muito mal humorado! Respondeu um dos garotos. – Ele já furou várias bolas que caíram dentro de seu quintal, por isso não jogamos lá perto!

Maurício e Ricardo rapidamente se adaptaram à nova turma, ao colégio e tudo o mais. Por outro lado, eles não suportavam quando o Edson ficava “chato”. O primo tinha a mania de zombar deles na escola, simplesmente para vê-los ridicularizados.

Um momento marcante aconteceu em uma noite chuvosa de Sábado. Os garotos estavam jogando vídeo-game no quarto do Edson. Ricardo ganhou uma partia do primo e comemorou com o irmão, Edson irritado deu um “cascudo” forte em ambos. Eles tentaram reagir, porém a voz da Simone vindo da sala os inibiu:

- Meninos, hora de dormir!

- Já vamos mãe. Respondeu o dono do quarto.

Após desligar os aparelhos ele disse em tom ameaçador aos primos:

- Se vocês contarem a alguém eu prometo bater mais forte.

Os garotos foram dormir sufocando o choro no travesseiro. Tudo o que eles queriam era poder estar em casa.

Todos os Domingos eles iam á Escola Dominical, naquele dia eles estudariam sobre o rei Davi.

Durante a lição a professora ensinava que Saul havia feito muitas coisas más com Davi, mesmo o jovem sendo obediente em tudo. Um dia, Davi teve a oportunidade de se vingar de Saul, porém ele escolheu fazer o contrário, e mostrar ao rei a sua bondade.

Depois da aula os meninos se aproximaram da professora e, após uma breve explicação do problema com o primo, eles perguntaram como deveriam agir.

- Primeiro, se ele bater em vocês novamente contem a um adulto. Segundo, vocês sabem por que Deus abençoou a Davi na história que eu lhes contei?

- Por que ele era obediente?

- Sim, e também por que enquanto Saul queria fazer coisas más, Davi só queria fazer coisas boas. Sejam mais bondosos ainda com seu primo. A bíblia ensina que se fizermos coisas boas aos que nos maltratam, essa pessoa ficará com vergonha de suas maldades. Vamos orar pelo primo de vocês?

Naquele mesmo dia os irmãos começaram a pedir a Deus uma mudança no coração do primo. Em muitas oportunidades eles o ajudaram: escola, tarefas de casa, etc. Eles perceberam que os abusos diminuíram, mas ainda não cessaram.

Então, em um típico final de tarde de Sábado, marcado pelo futebol de rua, ocorreu a pior coisa que poderia acontecer àquela turminha. O Edson dominou a bola perto das “traves” de chinelos e chutou. A bola tomou outro rumo, ela passou a milímetros da cabeça do dono da casa da esquina, e terminou a sua trajetória ao quebrar uma das janelas a casa.

Nesse momento só se ouvia “sujou”, e um bando de garotos fugindo, cada um para sua casa.

Edson ficou atônito com a situação, quando ele deu por si o senhor já o havia pegado pelo braço.

Visivelmente alterado ele gritava com o garoto que assustado começou a chorar. Nesse momento os primos se aproximaram e disseram:

- Senhor ele é nosso primo, todos estávamos brincando e temos culpa pela janela. Nossos pais vão arrumar tudo, prometemos.

Mais calmo, o ancião largou o menino, que foi se esconder atrás dos primos.

Em pouco tempo a mãe do Edson resolveu o problema e todos os garotos prometeram não mais jogar bola na rua. Maurício e Ricardo até conseguiram a controversa bola de volta, após se desculparem novamente com o dono da casa.

Nunca houve um agradecimento formal do Edson pela atitude dos primos, entretanto, houve uma mudança significativa no modo como ele tratava os dois.

Edson passou a frequentar a igreja com os primos, e hoje é um rapaz sempre disposto a fazer o melhor pelo seu próximo.

Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade” (Colossenses 3. 12).

A benignidade é o desejo de realizar e presenciar coisas boas. Se uma pessoa maligna, motivado por desejos pecaminosos, se alegra com o mal e a injustiça. Uma pessoa benigna, motivada pela presença do caráter divino, celebra  a bondade e a justiça.

O cristão deve seguir o exemplo de benignidade de Deus. O Senhor sempre deseja o bem ao ser humano! No livro dos Salmos a benignidade de Deus é exaltada de várias formas:

A benignidade de Deus nos leva a adorá-lo (Salmo 5. 7), é uma segurança para a salvação (Salmo 6. 4), sua benignidade deu vitória aos reis (Salmo 18. 50), livra o homem de suas aflições (Salmo 31. 7), o Salmo 136 é um hino em adoração à benignidade divina.

Durante o sermão do monte, o Senhor Jesus deu aos seus discípulos os princípios da benignidade cristã. Eis um exemplo: “Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mateus 5. 44).

Realmente não é fácil ser benigno, envolve disciplina e renúncia, quem poderia cumprir todos os requisitos acima?

Jesus! Ele e sempre Ele deve ser o exemplo a ser seguido! Quando consideramos a grande benignidade de Jesus para conosco, nos envergonhamos de nossas atitudes mesquinhas e buscamos o bem.

Paulo afirmou essa mudança no capítulo 3, versículos 3 a 8 de sua carta a Tito: “Porque também nós éramos, noutro tempo, insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros. Mas, quando apareceu a benignidade e caridade de Deus, nosso Salvador, para com os homens, não pelas obras de justiça que houvéssemos feito, mas, segundo a sua misericórdia, nos salvou pela lavagem da regeneração e da renovação do Espírito Santo, que abundantemente ele derramou sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador, para que, sendo justificados pela sua graça, sejamos feitos herdeiros, segundo a esperança da vida eterna. Fiel é a palavra, e isto quero que deveras afirmes, para que os que crêem em Deus procurem aplicar-se às boas obras; estas coisas são boas e proveitosas aos homens”.

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1 comentários:

Anônimo disse...

Glória a Deus pela sua vida irmão.

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