domingo, 29 de janeiro de 2012

O Fruto do Espírito - Mansidão.

Mansidão.

Por Alexfábio Custódio.

Para aproveitar melhor essa matéria leia os artigos anteriores: Intrdução, Amor, Alegria, Paz. Paciência, Benignidade, Bondade e Fidelidade.

(Os personagens desse conto são fictícios, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência).

Paulo cresceu em um bairro pobre de sua cidade, algo que os analistas sociais chamariam de subúrbio. O garotinho não entenderia o conceito de suburbano, mas ele compreendia a idéia de miséria. Desde a tenra infância ele percebia a diferença entre a sua realidade e o mundo apresentado pela televisão.

Com o passar dos anos o menino descobriu que havia um “movimento” no bairro, uma organização voltada à monetarização rápida e ilegal. Muitos de seus amigos eram recrutados pelo “movimento” para pequenas tarefas. O que lhes rendia um dinheiro que amenizava as dificuldades, ou apenas saciava os seus desejos consumistas.


Paulo também foi iniciado na associação criminosa. Fazia pequenos furtos e dividia parte do lucro com os “chefes” que lhe ensinaram o “ofício”. O líder máximo do “movimento” era um homem conhecido pela alcunha de “Ceifador”, diziam às crianças que ele carregava a morte por aonde ia.
Todos no bairro sabiam que o Ceifador era responsável por vários assassinatos, um homem violento e vingativo. Porém, um dia ele foi preso após um assalto a banco, e depois de algum tempo não se ouviu mais falar dele. Outra pessoa assumiu a liderança e a vida continuou.

Paulo se destacou entre os garotos de sua idade, sua malandragem e violência o fizeram prosperar no movimento. Quando ele completou quinze anos já era líder de uma boca de fumo. Por muitas vezes ele ampliava sua área de atuação atreves de incursões sangrentas.

A sua vida de crimes o afastou de seus pais, que durante anos lutaram para reabilitá-lo. Havia uma pessoa em especial, uma promotora que ele chamava de Tia Bia, que sempre ajudava seus pais com donativos. Ele realmente a respeitava, mas quando ela tentava convencê-lo a abandonar o movimento, ele se estressava e saia de casa.

Todos no movimento conheciam o conceito de “mundo cão”, não se pode perder a oportunidade de derrubar o seu rival, muitas vezes as escadas do sucesso eram manchadas de sangue. A ascensão de Paulo começou e incomodar alguns “grandões”, pessoas que não deixariam um pivete tomar os seus lugares confortáveis na organização.

O último dia do Paulo como chefe de boca foi marcado com um grande tiroteio, vários carros cheios de homens fortemente armados invadiram a casa onde ele comandava o seu setor. O garoto só sobreviveu por que ele estava na casa de seus pais. A notícia do final de sua carreira como “empresário do pó” chegou por telefone. Ele sabia que logo os seus inimigos o procurariam em sua casa, rapidamente ele levou os seus pais para a casa de alguns parentes em outra cidade e partiu sem dizer para onde iria.

Ele resolveu ir para a capital do estado, lá chegando tentaria entrar para alguma gangue. Contudo, a realidade foi mais cruel com ele, sem conseguir se infiltrar no crime organizado, Paulo passou a viver de pequenos furtos. Logo a miséria voltou a ser uma realidade em sua vida, acompanhado pela dependência química e pelo alcoolismo.

Paulo se tornou um sujeito instável e muito violento. Brigas em bares e em locais onde os usuários de drogas se reuniam se tornaram uma constante em suas noites. Em uma dessas noites ele acabara de injetar drogas em suas veias e visualizou uma garota caminhando sozinha. Ele enxergou uma oportunidade de assalto e diversão.

A abordagem foi rápida, em poucos instantes a garota estava imobilizada e sem os seus pertences. Paulo a jogou no chão disposto a abusar da garota. Ao se aproximar ele percebeu que ela repetia uma frase:

- Jesus me ajude, Jesus me ajude.

Subitamente, o rapaz sentiu como se uma mão o puxasse para trás, ele caiu de costas no chão gelado. Ao tentar levantar ele sentiu uma dor muito forte em sua cabeça, e depois ele só percebeu as luzes diminuindo...

Ao despertar ele percebeu que estava em um quarto de hospital. Uma enfermeira se aproximou e perguntou:

- Como você se sente?

- Acho que estou bem, onde eu estou.

- Sói um minuto que algumas pessoas vão te explicar.

Ela saiu e depois de alguns instantes entraram dois homens. Um policial fardado e um homem de palito e gravata.

- Veja doutor – disse o policial – o doidão acordou!

- Eu sou o delegado Antunes – disse o outro homem se aproximando da cama – qual o seu nome filho?

- É Paulo doutor.

- Quantos anos você em garoto?

- Dezessete senhor.

- Você já tem passagem?

- Tenho sim senhor! (Paulo sabia que não valia a pena mentir a policiais).

- Muito bem Paulo, sabe por que você está nesse hospital?

Paulo sacu8diu a cabeça negativamente, o delegado prosseguiu explicando:

- Você estava doidão e atacou uma menina na rua, você a ia violentar quando sofreu um ataque devido à overdose. A sua sorte, seu vagabundo, é que aquela menina parou uma viatura perto do lugar onde você estava. Se não fosse ela você teria morrido afogado em seu próprio vômito.

- Agora você tem duas escolhas. Eu quero te enviar a um reformatório, lá você iria tomar muitas bolachas para aprender a ser homem. Mas a família disse ao representante da vara da infância que retira a queixa se você aceitar ir para uma clínica de recuperação. E aí vagabundo?

- Eu vou para a casa de recuperação senhor.

- Parece que nessa hora ele não é doidão doutor. Disse o policial.

Em poucos dias Paulo foi levado para a casa de recuperação. Todos os pacientes foram reunidos e um homem que aparentava quarenta anos, chamado Nelson, o apresentou a cada um e disse:

- Paulo, esses são os seus melhores amigos de agora em diante. Vocês dependem um dos outros, quando um precisar de ajuda você vai socorrer, assim como eles te ajudarão. Você terá crises de abstinência, e somente eles estarão aqui para te ajudar.

A clínica possuía horários e regras rígidas. Trabalho, exercício físico, remédios, refeições, tratamento psicológico, horário de dormir, e sempre havia estudos bíblicos e momentos de orações. Nelson sempre conversava com cada um dos pacientes, muitos eram crentes recém convertidos.

Não demorou muito para Paulo arranjar a sua primeira encrenca. Ele estava trabalhando na horta e se machucou com uma lasca de madeira. Um colega foi socorrê-lo e levou alguns socos, Paulo estava fora de controle e no meio de sua primeira crise da abstinência.

Nelson o procurou depois que o efeito dos calmantes passou. Ele tentou conversar com o rapaz que o destratou e cuspiu em seu rosto. Essa não foi a única agressão do garoto contra o seu hospedeiro. Por mais de uma vez o garoto deu socos e pontapés em ataques de fúria, Paulo se irritava com os estudos bíblicos e se recusava a orar e conversar com o Nelson.

Os problemas com o garoto não cessaram, ele havia se tornado um perigo para os demais pacientes do local.Certa noite, Nelson o chamou em seu escritório quando o jovem já estava deitado, lá chegando ele disse:

- Paulo, você sabe que está sendo um problema para todos nós. Você é indisciplinado e violento, esses atos são inaceitáveis aqui.

- Não to nem aí. Que se exploda tudo isso!

- Você entende a conseqüência dessas palavras?

- Quer saber? Demorou! Estou cansado disso tudo! Já falei que não agüento mais esse papo de crente.

- Garoto, Deus me fez te chamar aqui. Amanhã você vai ser levado ao reformatório, porém, se você me confiar em mim, eu posso te ajudar a melhorar.

O garoto bateu as duas mãos espalmadas na mesa e depois desferiu um soco no nariz do Nelson.

- Eu agüento seu fresco, não sou molenga como esses caras que caem nesse seu papo furado. Onde cresci eu aprendi a viver o mundo cão.

Enquanto usava um lenço para limpar o sangue Nelson perguntou onde Paulo cresceu. Ao ouvir o nome da cidade e do bairro ele ficou muito surpreso.

- Você era do movimento?

- Como você sabe disso?

O homem ficou de pé e retirou a camiseta que estava usando, nas suas costas havia uma grande tatuagem de uma figura esquelética, usando capuz e segurando uma grande foice. Em cima da tatoo estava escrito: “Shimigami, o anjo da morte”.

- Você já ouviu falar do “Ceifador” filho?

As pernas de Paulo tremeram, em um instante ele percebeu que estava diante daquele que levava a morte por onde ia.

- Não pode ser, todos diziam que o Ceifador morreu na prisão.

- Sim, o ceifador morreu e o Nelson renasceu em Jesus Cristo.

- Maluco, eu já te dei uns tapas, o Ceifador nunca perdoaria isso.

- Você está certo em algo, eu realmente já mandei matar meu melhor amigo por dar em cima de uma menina que eu gostava. Eu cortei mãos de ladrões que roubavam minha droga. Mandei matar muitos que deviam e não pagavam. Porém, você errou sobre as suas agressões, há muito mais tempo eu me seguro para não te encher de porrada.

A figura daquele homem tão pacato se tornou algo amedrontador para Paulo. Gaguejando e visivelmente assustado ele perguntou:

- Como assim?

- Sabe a menina que você atacou? Pois bem, ela é filha de um homem simples e trabalhador. Um camarada que trabalha de Segunda a Sábado o dia inteiro. E no Domingo, seu dia de um merecido descanso, ele ainda reserva um tempo para pregar o evangelho em presídios, para trastes como eu e você. Foi ele que me ganhou para Jesus.

Paulo não entendia como aquele homem poderia se tornar cada vez mais ameaçador, com um dedo em riste na direção do garoto ele continuava a falar:

- Todas as vezes que eu olho para você, eu imagino o que você poderia ter feito aquela família. Agradeça a Deus por eles terem me pedido para cuidar de você. O pastor me disse que você se parece comigo quando ele me conheceu.

Nelson colocou novamente a sua camiseta e voltou a sentar-se em sua cadeira. Paulo, que estava totalmente encolhido no canto da sala, se levantou com os olhos arregalados. Visivelmente abalado ele perguntou:

- Mano, como você consegue?

- O quê garoto?

- Conter o ódio! Desde quando eu me entendo por gente, eu sinto ódio. Ódio de ser pobre, ódio das pessoas esnobes, ódio dos meus pais por me porem em um mundo cruel, ódio de tudo e de todos! Como uma pessoa como o cruel Ceifador se tornou essa pessoa mansa e pacífica?

Nelson foi para perto do rapaz e o abraçou. O garoto chorava copiosamente. Enquanto acalentava o jovem ele respondeu:

- Filho, eu descobri que o Reino de Deus é muito mais poderoso do que o mundo cão. Você tem a oportunidade de entrar para esse Reino, posso te ajudar?

Em poucos meses Paulo já se transformara em outra pessoa. Após a reabilitação ele descobriu que a sua família havia voltado para a sua cidade e viviam em paz. Ele foi morar com eles e conseguiu um emprego na casa de recuperação recém criada na cidade. Ao receber os novos pacientes ele abraçava a cada um e dizia:

- Bem vindo, vejo que você traz marcas de um mundo cão. Mas essa estalagem vai te preparar para alcançar o Reino de Deus.
---------------------------------------------------------------------------------

“Pelo que, rejeitando toda imundícia e acúmulo de malícia, recebei com mansidão a palavra em vós enxertada, a qual pode salvar a vossa alma” (Tiago 1. 21).

Quando o ser humano recebe a graça de Deus ele se torna um discípulo, alguém que segue os ensinamentos de um mestre. O mestre Jesus convida os seus alunos a aprenderem com o Seu exemplo de mansidão:

“Tomai sobre vós o meu jugo, e aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para a vossa alma” (Mateus 11. 29 / Grifo nosso).

A mansidão, doada pelo Espírito Santo ao cristão, é a capacidade de ser submisso à vontade divina, mesmo quando ela é contrária aos desejos naturais. Ela nos dá a capacidade de subjugar o “velho homem” cheio de maldades e malícias, e passarmos a viver como uma nova criatura em Cristo Jesus.

A mansidão proporciona o descanso para a nossa alma. Todos os conflitos existenciais gerados por um turbilhão de sentimentos, presentes na alma abatida e distantes de Deus, são resolvidos quando caminhamos com o nazareno. O cristão tem à sua disposição uma paz interior, que é um reflexo da paz com Deus. Busquemos a paz com Deus, através da confissão dos nossos pecados e do arrependimento das obras mortas, e descansemos nas promessas do manso Salvador.

O discípulo logo deve amadurecer como cristão. Através da mansidão aprendida com o Mestre, devemos ser benevolentes com os fracos na fé (Gálatas 6. 1), ajudando as almas pelas quais o Senhor pagou alto preço. “E ao servo do Senhor não convém contender, mas, sim, ser manso para com todos, apto para ensinar, sofredor; instruindo com mansidão os que resistem, a ver se, porventura, Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade e tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em cuja vontade estão presos” (2 Timóteo 2. 24 a 26).

O livro dos Salmos possui muitas bênçãos divinas aos mansos. A oração do manso será atendida (Salmo 10. 17), os mansos são guiados pelo Senhor (Salmo 25. 9), a voz do Senhor alegra o coração do manso (Salmo 34. 2). Jesus afirmou nas bem aventuranças que os mansos herdarão a terra (Mateus 5.5), e na eternidade eles serão adornados de Salvação (Salmo 149. 4).

Busquemos a mansidão oriunda de Deus, lembrando que o nosso “velho homem” deve estar crucificado na cruz de Cristo. Se isto já é uma verdade em nossas vidas, estamos caminhando para Deus e livres do dia da ira do Senhor.

“Buscai o SENHOR, vós todos os mansos da terra, que pondes por obra o seu juízo; buscai a justiça, buscai a mansidão; porventura sereis escondidos no dia da ira do SENHOR” (Sofonias 2. 3).

Nos ajude com o seu comentário.

Entre em contato conosco:








3 comentários:

Ana Paula Sometes disse...

Muito edificante a mensagem. Que Deus venha abençoar a sua vida cada vez mais!

Alexfábio Silva disse...

Muito obrigadio Ana!

Anônimo disse...

Excelente

Postar um comentário

A sua opinião é muito importante para a gente.
Comente, critique, deixe a sua dica para que o Sementes do Evangelho seja um blog relevante.