segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

O Fruto do Espírito - Temperança.



Temperança.

Por Alexfábio Custódio.

Para aproveitar melhor essa matéria leia os artigos anteriores: introdução, Amor, Alegria, Paz, Paciência, Benignidade, Bondade, Fidelidade e Mansidão.

(Os personagens desse conto são fictícios, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência).

Vagner abriu os seus olhos, contudo, a luz do sol que entrava pela janela o fez fechá-los novamente. Por alguns instantes ele permaneceu desnorteado, a sua cabeça doía, ele sentia dores em algumas partes do corpo, e em sua boca havia um gosto que denunciava a sua situação.

Ele havia se embriagado, novamente!

Após alguns minutos ele abriu novamente os olhos, os protegendo da luminosidade, para descobrir onde estava. Para a sua tranquilidade ele estava em seu quarto, e ainda estava com as roupas que estava usando no casamento de sua amiga Priscila.

Por mais que tentasse lembrar-se, havia um lapso em suas memórias. Vagner não se lembrava de quando saiu da festa, não se lembra de ter bebido, e não tem a mínima idéia de como chegou em casa.  

Ele esperou até as onze horas da manhã para levantar-se e tomar um banho. A vergonha e o arrependimento o consumiam, e se seus pais o viram nessa situação?

Após o banho Vagner foi até a cozinha para tomar um café, ao passar pela sala de estar de sua bela casa, ele encontrou com seu pai à sua espera.

- Bom dia meu filho. – Disse o deputado Arnaldo, pai de Vagner.

- Bom dia pai. Eu preciso de um café.

- Eu escutei você levantando e já mandei providenciar. Sente-se filho.

- Pai, o senhor sabe me dizer o que houve?

- Eu sei apenas que depois do casamento da filha do pastor Júlio, você saiu após atender ao telefone. E o Jorge (jardineiro da casa) te encontrou no jardim.

- Não me lembro de nada pai, eu sou um idiota e ingrato! – Disse o rapaz batendo com a mão espalmada na testa. – Por mais que eu tente evitar, isso sempre acontece!

- Filho, a sua mãe está arrasada.

- Eu imagino paizão, ela não merece esse desgosto. Que droga de cristão eu sou pai? Eu tenho a plena certeza que só estou vivo devido ao grande amor de Deus! Ele me tirou daquela vida de arruaceiro, porém, eu não consigo ser fiel a Ele.

- Vagner, a sua mãe cogitou nessa manhã a hipótese de te internar em uma clínica de recuperação. Mas a escolha é sua filhão. Converse com Deus meu filho, Ele vai te orientar.

Uma das empregadas trouxe o café de Vagner, após agradecer à funcionária o rapaz respondeu:

- Sim senhor, obrigado pelo apoio pai.

- Disponha meu filho, nós só queremos o melhor para você.

Depois de algum tempo dedicado a oração, Vagner telefonou para seu amigo Alexandre:

- Alexandre, você tem uns minutinhos maninho?

- Claro Vagão, algum problema?

- Aconteceu novamente amigo, depois do casamento da Pri eu saí para beber, nem sei como eu cheguei em casa sangue bom.

Vagner apelidou Alexandre de “sangue bom”, desde o dia em que o amigo salvou a sua vida com uma transfusão de sangue.

- Não preciso dizer que estou arrasado. – Continuou Vagner. – E o pior que meus pais também estão. Minha mãe até propôs uma internação. Eu estava orando sobre isso, talvez seja o melhor.

- Amigo Deus vai te dar a resposta certa! Ele conhece o seu coração e reconhece a sua fragilidade. Estamos todos orando por você irmão.

- Valeu cara, que bom que eu tenho pessoas tão especiais como vocês.

Após desligar o aparelho celular Vagner fechou os seus olhos e começou a falar com Deus:

- Senhor, mais uma vez eu Te agradeço por meus pais e os verdadeiros amigos que o Senhor me deu. Pai, eu estou cansado de ser fraco, de magoar o Seu Santo Espírito e a essas pessoas. Deus, eu não quero mais beber, me drogar e nem me prostituir.   

As palavras foram substituídas por lágrimas e soluços. Vagner ainda não havia sido batizado nas águas devido a suas “recaídas”. Ele não entendia por que era tão difícil vencer alguns desejos! Certo dia um irmão testemunhou na igreja que havia abandonado quarenta anos de tabagismo com cinco dias de convertido. Por que ele não conseguia?

- Dessa vez vai ser diferente Deus! – Disse Vagner levantando as mãos aos céus. – Eu vou me empenhar para te honrar Deus!

E assim foi... Por uns vinte dias!

Na noite do vigésimo primeiro dia, Vagner despertou por causa da água lançada em seu rosto. Uma mulher tentava lhe fazer levantar da calçada, ela batia levemente nele com uma vassoura. Cambaleante ele caminhou pela madrugada. Apesar da embriagues, ele lembrava-se dos eventos que o levaram até aquele momento.

A lembrança da promessa feita a Deus há alguns dias trouxe uma dor terrível à sua alma. Enquanto caminhava sem destino, ele lamentava em alta voz por ser tão miserável.

Novamente surgiu um momento de trevas.

Quando ele despertou novamente, ele estava deitado em um colchonete em um quarto desconhecido por ele. A dor de cabeça típica da ressaca o impediu de levantar-se imediatamente. Nesse momento um homem entrou no quarto e disse:

- Pensei que você não iria acordar mais! Que porre meu amigo!

- Onde eu estou?

- Eu sou Lucas e você amanheceu na porta de minha casa.

- Obrigado por me abrigar.

- Não precisa agradecer. – Disse o homem entregando uma xícara de café sem açúcar para Vagner. – Me desculpe a indiscrição, mas eu olhei os seus documentos Vagner, caso precisasse chamar alguém.

- Não tem problemas, poderia ter me acontecido algo bem pior.

- Posso te perguntar uma coisa?

- Claro.

- Quando eu te encontrei, você estava balbuciando coisas como: “Deus me perdoe, guie os meus passos.” Isso parece papo de crente, você está desviado da igreja?

Em alguns minutos Vagner explicou a Lucas a sua história. Após ouvir o anfitrião disse:

- Rapaz eu já vivi essa sua história. Venha comigo.

Na sala da casa de Lucas havia muitas estantes cheias de medalhas, troféus e fotos.  Ele apontou para uma foto dele com uma mulher e uma criança.

- Aqueles são minha esposa e meu filho, eu quase os perdi para as drogas e a bebida.

A foto de uma equipe de futebol chamou a atenção de Vagner. Era um recorte de jornal que dizia: “Equipe campeã estadual.” Lá estava Lucas, um pouco mais jovem, entre os atletas.

- Espere um momento, você é o Lucas Cometa?

- Isso mesmo. - Disse Lucas com um sorriso. – Eu era tão rápido que me deram esse apelido. Infelizmente, a fama repentina e a minha falta de estrutura moral, me levaram às drogas e ao fim da minha carreira desportiva.

- Cara, que barra.

- Isso não foi nada garoto. O pior foi quase perder a minha família. Ainda bem que a Rose se converteu e lutou por mim em oração.

- E como você venceu o vício?

- Autocontrole e disciplina meu amigo. Assim como você, eu não conseguia colocar a palavra de Deus em prática na minha vida. Então um amigo, lembrando-se que eu era um atleta, me ensinou através de uma alegoria.

- Que alegoria?

- Eu vou te mostrar. Encontre-me nesse endereço hoje à tarde. – Lucas entregou um cartão a Vagner. – Agora vá tomar um banho, eu te empresto uma troca de roupa.

Vagner chegou no final da tarde ao endereço marcado no cartão, Lucas já o aguardava na entrada do clube poliesportivo.    

- É muito bom você ter vindo! Venha, eu quero te mostrar o meu time.

Eles caminharam até o campo de futebol onde vários garotos faziam exercícios de alongamento.

- Eu sou o treinador desses meninos. Espere aqui um pouco.

Lucas assoprou um apito e os garotos foram ao seu encontro, após algumas orientações os atletas começaram um treinamento tático. Voltando ao local onde Vagner esperava o treinador disse:

- Você está vendo aquele garoto com a camisa dez? Ele é o capitão do meu time e o seu exemplo.

- Como assim meu exemplo?

- Ele é um dos melhores do elenco, um armador talentoso e com visão de jogo. O motivo por eu o ter escolhido como capitão foi a sua entrega voluntária à equipe. O Moacir pode resolver o jogo sozinho, porém, ele não joga para aparecer-se, ele joga pela equipe. Por isso ele é o capitão.

- Que lega!

- O cristão faz a mesma escolha Vagner, nós abandonamos nossos desejos para que Jesus resplandeça em nós. Como capitão do time, esse garoto sabe que eu depositei uma grande confiança nele. Assim é nossa vida com Deus, ele confia e torce por você.

- Mas não é fácil.

- Claro que não é fácil! Você acha que o Moacir já nasceu craque? Ele gasta horas em treinamentos táticos. Aprendendo a jogar com a cabeça erguida, conhecendo os “atalhos” dentro de campo, aprendendo a se movimentar, conhecendo os seus aliados, desenvolvendo sua capacidade criativa.    

- Já estou entendendo. Eu devo me dedicar mais em minha vida cristã para aprender a “fintar” os meus adversários.

- Isso mesmo garoto! E o melhor é que você sempre tem o treinador Espírito Santo para te orientar. Quando o meu capitão domina a bola, ele tem uma fração de segundos para decidir qual a melhor jogada para alcançar o seu objetivo, o gol. Diante da tentação, você tem que estar preparado para fazer a melhor escolha. O atleta só alcança os seus objetivos através de uma disciplina rígida. O cristão só renuncia ao pecado através do domínio próprio ensinado pelo Espírito Santo.

Nesse momento, no campo, Moacir dominou a bola e rapidamente tocou para o atacante. A jogada pegou a defesa adversária desprevenida e o artilheiro marcou o gol.

Algum tempo depois...

Vagner saiu do tanque batismal, a sua família e todos os seus verdadeiros amigos estavam ali, felizes pela sua vitória. Lucas se aproximou e disse ao amigo:

- Golaço campeão de Jesus!

O apóstolo Pedro começa a sua segunda carta universal exaltando a preciosa comunhão com Deus. Através da Sua graça e do Seu grande amor, o conhecimento sobre a vida eterna está revelada a toda a humanidade.

Através desse conhecimento, a falsidade dos prazeres pecaminosos é revelada. O que antes parecia agradável e desejável, se revelou o caminho para uma eternidade de sofrimento e distante de Deus, o inferno.

Motivado pelo Seu amor incondicional, Deus não somente revelou o caminho para a queda infernal, Ele proporcionou o caminho da vida eterna em Jesus Cristo. Nele temos as promessas de participarmos da natureza divina.

Entretanto, o pecado ainda não é um inimigo vencido. Nós ainda estamos em uma intensa batalha contra a nossa natureza pecaminosa. “Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis” (Gálatas 5. 17).

Após anunciar essa batalha, o apóstolo Paulo mostra dezesseis das inúmeras obras que a nossa natureza pecaminosa tem para nos afastar da vontade de Deus.

Os dois apóstolos citados acima são unânimes em exaltar as características a serem exercidas para mantermos o título de cidadão do céu (2 Pedro 2. 15 a 18 / Gálatas 5. 22).

A temperança, virtude estudada nesse artigo, não é o domínio sobre os desejos pecaminosos, esses sempre nos seguirão enquanto vivermos. A temperança é a capacidade de escolhermos resistir aos desejos mundanos quando a tentação está presente.

Não existe cristão invulnerável, sem pontos fracos! Crer nisso é um perigoso anúncio de queda certa! Todos nós temos as nossas fraquezas e estamos sujeitos à tentação. E quando esse momento crítico surge, seja através do Tentador ou por evento casual, devemos estar prontos para dizer NÃO para o pecado e SIM para a santidade.

O Espírito Santo, o Paracleto divino, está sempre disposto a nos ajudar a triunfar. Ele nos convence da necessidade da santidade, Ele fala conosco através da mensagem bíblica, Ele nos convida a uma vida de oração, Ele nos alerta quando estamos trilhando caminhos perigosos...

Ele nos levanta quando fracassamos ou tropeçamos

Durante uma guerra, batalhas podem ser perdidas. Aprendamos com os nossos erros e, com a ajuda do Espírito Santo, desenvolvamos o domínio próprio para vencer o pecado. E passemos a ouvir a boa voz do Espírito, quando Ele anunciar o perigo iminente.

Sejamos todos campeões de Deus.

“Sujeitai-vos, pois, a Deus; resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tiago 4. 7).

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