domingo, 15 de maio de 2011

Crianças, bolas furadas e centenário.


“Naquela mesma hora, chegaram os discípulos ao pé de Jesus, dizendo: Quem é o maior no Reino dos céus? E Jesus, chamando uma criança, a pôs no meio deles e disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos fizerdes como crianças, de modo algum entrareis no Reino dos céus. Portanto, aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no Reino dos céus” (Mateus 18. 1 a 4).

Há algum tempo eu vivi uma experiência que retrata o ensinamento dos versículos acima citados. Quando eu era criança ainda era muito comum a prática de se jogar futebol no meio da rua. Nós fazíamos “traves” de chinelos ou tijolos, sempre contando um determinado número de passos ou blocos. Os dois melhores eram responsáveis por dividir a turma em dois times, é meio evidente que esse pequeno albino era um dos últimos a ser escolhido.


É evidente que havia alguns riscos a serem evitados: Devíamos tomar cuidado para não acertar uma bolada nos transeuntes, jogávamos em ruas com pouco movimento de veículos, e acima de tudo, nunca deveríamos acertar casas ou suas respectivas janelas, senão era GAME OVER.

Um dia a nossa bola foi chutada com muita força, mas sem pontaria. Todos acompanharam a parábola que a esfera percorreu até cair na casa do vizinho mais ranzinza do bairro. Todos os garotos se amontoaram na calçada do outro lado da rua com a sensação de “ferrô”. A porta da casa foi aberta, no primeiro momento só víamos o par de olhos vermelhos e flamejantes. Quando ele finalmente saiu podíamos ver a sua figura assustadora, balbuciando palavras inteligíveis e espumando pelo canto da boca. Ele pegou a nossa amiguinha de plástico, sacou uma grande faca de sua cintura, e sem dó fatiou e mastigou a nossa bola diante de nossos olhos.

É claro que estou usando do meu senso de humor exagerado para relatar o fato, na verdade o vizinho somente cortou a bola com o seu canivete e jogou no meio da rua, mas a primeira versão é bem mais divertida.

O importante é que naquela tarde eu voltei triste para casa, pensando em como um adulto podia ser tão chato, a bola só havia caído no quintal sem quebrar nada. Naquele dia eu tomei uma decisão:

- Quando eu for adulto não serei tão enjoado com as crianças que estiverem brincando por perto!

Os anos passaram. Certo Domingo eu estava no aconchego do meu lar, descansando após uma semana marcada por muito trabalho e uma rotina estafante. Depois do almoço resolvi cochilar um pouco, isso se aquelas crianças barulhentas na rua deixassem. Subitamente, um grande silêncio e o som de algo batendo do lado exterior da parede do quarto.

Quando cheguei ao local, lá estava ela! A bola daquelas crianças barulhentas estava inerte perto de minha janela. Que falta de respeito com alguém que está usufruindo dos seus poucos momentos de repouso! Como eles ousavam invadir o meu território? Isso era um ato de guerra, e eu iria agir como defensor do meu reino! Onde está a minha espada (faca)?

Ao olhar para a rua, eu vi os pequenos amontoados esperando o desfecho da história e me lembrei da minha promessa pueril. Nesse momento eu percebi que quase abandonei o meu propósito por causa de uma falsa sensação de poder. Com um sorriso nos lábios eu me aproximei das crianças e perguntei se também poderia brincar. Isso resultou em alguns momentos de pura e simples diversão.

Enquanto os discípulos disputavam assentos de honra, as crianças somente queriam estar perto de Jesus por ele ser “legal” e “bom”. Nós estamos a poucos dias do centenário da igreja Assembleia de Deus, igreja da qual faço parte desde a minha conversão. Estou muito longe de ser bairrista, conheço a atuação da multiforme graça de Deus através de suas instituições terrenas. Porém, amo a Assembleia de Deus e estou um pouco chateado com os últimos acontecimentos.

Nesses cem anos Deus nos proporcionou um bom crescimento, realmente temos motivos para agradecer por tantas bênçãos alcançadas. Infelizmente, as divergências entre alguns homens que deveriam ser “o exemplo dos fiéis”, estão nos deixando sem uma bola para brincar. Não quero citar nomes e muito menos diminuir o valor de uma convenção organizada em prol da unidade da igreja. Só faço aqui um pequeno clamor:

Deixem a faca de lado, e venham brincar conosco!


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