sábado, 17 de setembro de 2011

Virando as costas para Jesus.

Em nosso último artigo, O toque da graça, nós usamos o relato do leproso purificado por Jesus para expressar a ação da graça de Deus em nossas vidas.  Nesse artigo, nós veremos uma passagem que envolve elementos parecidos, mas que apresenta uma categoria de personagens próprios do movimento evangélico hodierno.

“E aconteceu que, indo ele (Jesus) a Jerusalém, passou pelo meio de Samaria e da Galiléia; e, entrando numa certa aldeia, saíram-lhe ao encontro dez homens leprosos, os quais pararam de longe. E levantaram a voz, dizendo: Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós! E ele, vendo-os, disse-lhes: Ide e mostrai-vos aos sacerdotes. E aconteceu que, indo eles, ficaram limpos” (Lucas 17. 11 a 14).


Esses dez leprosos já deveriam ter ouvido muitas histórias acerca dos sinais e maravilhas que Jesus operava. Quando eles foram procura-lo, resolveram manter uma distância segura do grupo do mestre, mas mesmo assim eles clamaram em alta voz pelo seu milagre.

Se formos conjecturar sobre o passado deles, assim como no artigo passado, com certeza chegaríamos à conclusão de que eles deixaram família e amigos para trás por causa da doença. Qualquer um de nós entende o que é estar distante de alguém que se ama devido a casualidades da vida. Imagine ser separado por uma doença fatal.

Eles foram até Jesus á procura de um milagre, e o encontraram!

Jesus os manda procurarem um sacerdote para a perícia cerimonial. E todos constataram que estavam livres daquele mal!

Eles tinham todos os motivos do mundo para fazerem uma grande manifestação em gratidão a Deus! Imagine dez homens testemunhando pelas ruas o milagre do que Jesus acabara de operar em suas vidas! Quem os condenaria se eles fossem até Jesus e, numa manifestação de alegria e gratidão, o jogasse várias vezes para o alto? Semelhante a atletas exaltando o seu treinador.

No entanto...

“E um deles, vendo que estava são, voltou glorificando a Deus em alta voz. E caiu aos seus pés, com o rosto em terra, dando-lhe graças; e este era samaritano. E, respondendo Jesus, disse: Não foram dez os limpos? E onde estão os nove? Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, senão este estrangeiro?” (Lucas 17. 15 a 18).

Um homem, somente uma pessoa entre dez curados voltou para agradecer.

Será que conseguimos conjecturar o que passou na cabeça dos outros nove? Será que encontramos uma razão plausível para eles não voltarem pelo menos para dizer “Valeu Jesus”?

Eles devem ter corrido para suas casas, para rever e abraçar os seus entes queridos. Havia muitos negócios para se colocar em dia. Eles realmente estavam com muita pressa para usufruir da bênção.

E o Deus abençoador foi exaltado por apenas um. No entanto, para Jesus esse fato já não era novidade.

O capítulo seis do evangelho segundo João mostra o milagre da multiplicação dos pães e peixes para alimentar uma multidão. No dia seguinte ao banquete, Jesus pregou à mesma multidão uma mensagem sobre compromisso e fidelidade. Ele acabara de anunciar que era o Pão Vivo que desceu do Céu. Quem desse crédito aos seus ensinamentos, e os praticassem, seria digno da vida eterna.

Sabe o que aconteceu?

“Desde então, muitos dos seus discípulos tornaram para trás e já não andavam com ele” (João 6. 66).

Vergonha! Esse é o sentimento que devemos sentir. Por que estamos vendo uma multidão de pessoas em nossas igrejas mais interessadas nas bênçãos no que no abençoador.

Pessoas mais interessadas no que Deus vai dar, ao invés de adorá-lo pelo que Ele já fez.

Pessoas mais interessadas em “se sentir bem” do que em viver uma vida agradável a Deus.

Pessoas alegres por ver seus nomes na mídia, ao invés de jubilarem por ter seus nomes no Livro da Vida!

Paremos para ouvir as orações feitas a Deus. Um pede-pede digno de cartinhas natalinas para o Papai Noel. “Deus me dá isso, ou aquilo” repetido por dez, vinte, trinta minutos! Não lembramos mais de glorificá-lo!

Ah, mas adoramos a Deus nos louvores.

Será? Vejamos alguns exemplos dos “louvores” entoados supostamente a Deus:

“Restitui, traga de volta o que é MEU”.

“A MINHA vitória tem sabor de mel”.

“Deus TE fará um vencedor”.

É preciso que a cristandade brasileira se volte urgentemente para Deus. Essa geração não pode ser conhecida no futuro como “aqueles que deram as costas para Jesus”.

O Senhor Jesus afirmou ao ex-leproso que voltou para agradecê-lo: “A tua fé te salvou” (Lucas 17. 19). Que a fé verdadeira em Deus nos salve dos nossos interesses humanos e mesquinhos.

Ao ver muitos virando as costas para ele, Jesus fez uma pergunta crucial aos seus discípulos. “Quereis vós também retirar-vos?” Que Deus nos ajude a responder como os apóstolos:

“Senhor, para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna, e nós temos crido e conhecido que tu és o Cristo, o Filho de Deus” (João 6. 68 e 69).

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