domingo, 26 de agosto de 2012

O toque da Graça.

 Por Alexfábio Custódio.

Por mais que ele tentasse, era muito difícil esconder a angústia causada por aquele momento. A sua boca estava seca e os seus olhos estavam atentos a cada reação do homem que examinava o seu corpo. Cada segundo da perícia efetuada pelo sacerdote parecia estender-se por horas!

O descendente de Levi examinou algumas feridas que brotavam de seu braço e finalmente lhe deu ordem para se cobrir novamente. Enquanto arrumava a sua túnica ele sentia o coração acelerar dentro do peito, finalmente ele ouviria o resultado do exame. O sacerdote foi direto ao ponto, sem meias palavras:

- Está confirmado, é lepra! Você está cerimonialmente impuro, deve abandonar a comunidade e viver isoladamente até a sua cura.

Ele até tentou argumentar:

- Lepra? Essas pequenas feridas e algumas manchas?

Porém, não havia argumentos para o seu caso, e logo ficou claro que o sacerdote estava correto.

Esse dia marcou a sua vida e, mesmo depois de tanto tempo, está sempre presente em seus pesadelos. De acordo com a lei que norteava a nação de Israel, ele deveria se afastar por causa da doença que consumia a sua epiderme e lhe tornava uma pessoa imunda. A sua presença em qualquer área habitada poderia gerar uma epidemia (Levítico 13. 9 e sequência).

Ele conhecia esses detalhes da lei desde criança, já havia ouvido muitas histórias e, até mesmo, testemunhou alguns fatos. No entanto, nunca imaginou que um dia ele sentiria isso na sua própria pele, literalmente.

A saudade dos entes queridos só é comparável à vergonha de ser arauto do próprio infortúnio. Se alguma pessoa saudável se aproximar ele deve avisar do risco de contaminação.

- Imundo, não se aproxime! Leproso!

Já havia muito tempo que ele não sentia um gesto de carinho. Ou o simples prazer de desfrutar de uma conversa na hora da refeição. Na maioria do tempo ele só tinha a companhia dos insetos que procuravam pousar em suas feridas, ou de outros impuros errantes como ele.

Abandonado! Era assim que ele se sentia! Mesmo que alguns parentes ou amigos sempre trouxessem mantimentos e vestes, tudo era colocado em uma distância segura, para evitar uma contaminação indesejada. Sem falar que Deus o havia esquecido fora da comunhão da nação eleita, indigno de entrar no templo e oferecer a sua adoração.

Porém, neste dia aconteceu algo inusitado. Vários grupos de pessoas caminhavam em uma única direção. Mesmo mantendo uma distância segura, ele pôde ouvir um nome:

Jesus de Nazaré.

Parecia que todos pretendiam ouvir o novo pregador de que as pessoas têm falado. E mesmo estranhando o fato de Jesus não estar ensinando em uma sinagoga, ele resolveu conferir de longe. A multidão reunida o surpreendeu, no entanto, foi a mensagem do Rabi da Galileia que o impactou!

Jesus ensinou sobre fé, amor, compromisso e sinceridade na devoção a Deus. Quando Jesus falava da alegria de sofrer por amor a Deus, ele se arrependeu das vezes que maldisse a sua condição de saúde. Quando Jesus falou que Deus consola aos que choram, seus olhos lacrimejaram por ter acusado Deus de omisso ao seu sofrimento. Quando Jesus afirmou que Deus vela por cuidar do seu povo nas mínimas coisas, ele se arrependeu por murmurar por uma noite sem pão. E, quando Jesus afirmou “peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta” (Mateus 7. 7 NVI), ele acreditou.

Nasceu no seu coração o desejo de falar com Jesus. Ele sabia que poderia ser rejeitado, ele poderia até ser apedrejado pela multidão. No entanto, essa poderia ser a sua única oportunidade de buscar perdão pelos seus erros.

“E, descendo ele (Jesus) do monte, seguiu-o uma grande multidão. E eis que veio um leproso e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo” (Mateus 8. 1 e 2).

Agora estava feito! A qualquer momento o seu corpo encurvado poderia receber as pedradas merecidas pela ousadia de entrar no meio do povo. No entanto, ao invés das pancadas típicas de um gesto agressivo, ele sentiu o toque das mãos de Deus em sua pele, um gesto de carinho que há muito tempo ele não sentia.

“E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. E logo ficou purificado da lepra” (Mateus 8. 3).

Ele estava curado! O toque de Jesus retirou a lepra e ele poderia voltar para a sua casa e para a sua família. O sacerdote não pôde ver mais nenhuma impureza em sua pele. Porém, a maior transformação na vida dele foi interior, ele sabia que havia alcançado um favor de Deus que ele não merecia...

Ele havia recebido um toque da Graça de Deus.

A história real desse leproso que foi tocado por Jesus nos ajuda a entender algumas verdades espirituais.

A lepra é uma analogia ao pecado. Quando julgados pelo peso da lei de Deus, todos são considerados impuros e, por isso, condenados a estarmos afastados de Deus.

O pecado é cruel na hora de cobrar o seu preço, por mais que ele parece insignificante no começo, ele continua a crescer, consumindo o ser humano. E, por mais que nos consideremos inculpáveis, uma simples análise à santidade de Deus é o suficiente para silenciar a nossa defesa.

A boa notícia nessa causa, é que Deus sempre está proporcionando chances para reaproximar o exilado pelo pecado. Ah, se não fora a infinita graça de Deus, onde estaríamos? Com certeza sendo consumidos pela lepra do pecado!

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens” (Tito 2. 11).

Basta acreditarmos! Basta um toque das mãos curadoras de Jesus!

E nos tornamos limpos, inculpáveis diante da justiça de Deus.

“Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, sendo justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus, ao qual Deus propôs para propiciação pela fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça pela remissão dos pecados dantes cometidos, sob a paciência de Deus; para demonstração da sua justiça neste tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus” (Romanos 3. 23 a 26).


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