terça-feira, 11 de outubro de 2011

Imaginação infantil e a unidade da igreja.

Eu estava lendo um artigo da Psicóloga e Psicopedagoga Daniela Ruiz de Mendonça sobre imaginação infantil ( http://twixar.com/KPM3muH7Pj0ep ), quando me lembrei dos meus companheiros de aventuras imaginárias.

Como já mencionei em artigos anteriores, a minha infância foi marcada pela presença de muitos heróis. A TV e os quadrinhos apresentaram a esse pequeno albino uma enorme quantidade de pessoas dispostas a defender o mundo. Não demorou muito tempo para que eu mesmo “desenvolvesse” capacidades especiais e, com meus superpoderes, passei a viver muitas aventuras imaginárias com os meus superamigos-imaginários.


Já não sei dizer quantas vezes nós salvamos o mundo. E o mais legal das aventuras imaginárias, é que elas não precisam respeitar direitos autorais. Um dia eu estava voando com o Superman, em outra ocasião estava salvando uma nave espacial ao lado do Space Ghost, ou duelando contra o Dr. Octopus em Nova York para ajudar o Homem Aranha, sem falar das várias vezes que estive cooperando com o Jaspion ou o Esquadrão Relâmpago Changeman.

Se alguém tentasse me explicar que era impossível o Batmam atuar ao lado do Capitão América por eles serem de editoras rivais, eu iria achar muito estranho. “Não são todos heróis? O desejo deles não é o mesmo? Se todos lutam contra o mal, por que criar divisões?” Na minha mentalidade infantil, quando o mundo corresse o perigo de sucumbir diante de um tirano espacial, TODOS os heróis tinham que agir em prol da humanidade. Não importava se eles fossem da DC Comics, MARVEL Comics, ou Super Sentais e Metal Heroes japoneses.

E por alguns anos eu imaginava essas aventuras onde os heróis se reuniam em um propósito único, salvar aqueles que estavam em perigo. Eu sabia que ninguém, nem mesmo o mais poderoso, pode resolver tudo sozinho. Todos tínhamos pontos fracos e precisávamos de amigos que nos amparassem caso os vilões explorassem nossas fraquezas.

No momento em que escrevo esse artigo, recebi pelo Twitter o link para o trailer de “The Avengers / Os Vingadores” ( http://t.co/71TFH8nD ). É disso que estou falando! Heróis tão diferentes, com poderes e motivações únicas, que se unem quando um mal maior se manifesta.

Havia uma diferença significativa da brincadeira de super-herói sozinho ou com outras crianças. Enquanto que na minha imaginação os diferentes poderes cooperavam para o resultado da missão, na brincadeira em grupo era motivos de conflito:

- Meu soco quebra o seu escudo!

- Minha visão de calor anula o seu raio lazer!

- Eu rasgo as suas teias com as minhas garras!

Será que eles entendiam o motivo da brincadeira? Enquanto discutíamos quem era o mais poderoso o mundo estava correndo perigo! Enquanto brigávamos o inimigo avançava em sua caminhada de destruição e caos!

Poderes realmente sobem à cabeça, os discípulos de Jesus que o digam:

“E chegou a Cafarnaum e, entrando em casa, perguntou-lhes: Que estáveis vós discutindo pelo caminho? Mas eles calaram-se, porque, pelo caminho, tinham disputado entre si qual era o maior” (Marcos 9. 33 e 34 / Grifo nosso).

Os membros do colégio apostólico discutiam durante a caminhada para descobrir qual deles seria mais poderoso no reino vindouro. E Jesus, conhecendo esses discursos facciosos, resolveu ensinar uma lição de humildades a seus discípulos.

“E ele, assentando-se, chamou os doze e disse-lhes: Se alguém quiser ser o primeiro, será o derradeiro de todos e o servo de todos. E, lançando mão de uma criança, pô-la no meio deles e, tomando-a nos seus braços, disse-lhes: Qualquer que receber uma destas crianças em meu nome a mim me recebe; e qualquer que a mim me receber recebe não a mim, mas ao que me enviou” (Marcos 9. 35 a 37).

Jesus ofereceu poder à igreja não para benefício próprio. Os dons e talentos não são distribuídos para que possamos sair bradando por ai: “Veja como sou abençoado!” “Na minha igreja acontece isso e na sua não!” “A unção de deus saiu do lugar A e veio para a nossa igreja B!”

Não minha gente, não! O evangelho não é poder de Deus para aumentar a membresia de minha denominação, ou poder de Deus para dar ibope na TV ou no You Tube. O evangelho é poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1. 16).

O mundo está em perigo! Milhares perecem sem salvação! O poder de mudar destinos está conosco! Nesse final de semana eu presenciei uma ex-colega de faculdade, que eu ajudei a evangelizar, sendo separada a diaconisa. Ela chorava diante do altar e eu também chorei. A sensação de levar alguém a Cristo é indescritível, e eu não entendo o porquê tanta gente perde tempo precioso discutindo sobre quem é o mais poderoso.

Todos possuímos pontos fortes e fracos, temos diferenças litúrgicas e doutrinárias. Todavia, a nossa comissão deveria nos unir em um só amor e um só propósito. “Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação; um só Senhor, uma só fé, um só batismo; um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, e por todos, e em todos. Mas a graça foi dada a cada um de nós segundo a medida do dom de Cristo” (Efésios 4. 4 a 7 / Grifo nosso).

Eu sei que para muitos a ideia de “unidade apesar das diferenças” pode parecer delírios infantis. Bom, se esse é o caso, prefiro pensar como um pequenino sonhador. Dessa forma me sinto mais próximo da vontade daquele que nos fez nascer de novo.

“Porque não nos pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus, o Senhor; e nós mesmos somos vossos servos, por amor de Jesus. Porque Deus, que disse que das trevas resplandecesse a luz, é quem resplandeceu em nossos corações, para iluminação do conhecimento da glória de Deus, na face de Jesus Cristo. Temos, porém, esse tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós” (2 Coríntios 4. 5 a 7 / Grifo nosso).

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1 comentários:

Andriak disse...

Gostei muita da comparação entre os heróis de tokusatsu com os HQ americanos em relação a Palavra de Deus.
Vemos os vilões arrumando um meio dos heróis lutarem entre eles até a morte para assim conseguirem dominar nosso mundo.
Infelizmente o mesmo ocorre nas igrejas: elas disputam cegamente entre si sem se darem conta que esta é na verdade uma estratégia de Satanás pra fazerem esquecer do verdadeiro propósito e finalmente destruir o Amor de Deus que está nelas.
A Igreja tem que despertar mesmo!

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