domingo, 6 de novembro de 2011

De quem foi a vitória? E quem fez a festa?

A narrativa da crucificação de Jesus desperta em seu leitor-ouvinte-expectador vários sentimentos. Por vários séculos os artistas têm tentado reproduzir esse momento tão importante para o cristianismo. Pinturas, peças teatrais, áudio dramas, cinema, quadrinhos, e tantas outras formas de expressão artística foram usadas nesse propósito.

Na igreja a crucificação é apresentada principalmente pela pregação bíblica e nas músicas entoadas nos cultos. Todo expositor das escrituras conhece (ou pelo menos deveria conhecer) o conceito de conjectura. É a possibilidade de incluir elementos na sua mensagem-música que não estão presentes no relato bíblico. Essa suposição é viável desde que respeite conceitos históricos, culturais e teológicos. Existe uma conjectura muito usada nas mensagens sobre a crucificação que fere violentamente a SOTERIOLOGIA (ramo da teologia que estuda a doutrina da salvação), eis a frase:

“E o Inferno fez uma festa quando Jesus morreu!”


As pessoas que espalham esse pensamento afirmam que Satanás comemorou por ter conseguido eliminar Jesus através da crucificação.

Que engano terrível! Esse pensamento transforma o sacrifício do Senhor Jesus em uma “tocaia” arquitetada pelo Diabo! E basta uma simples pesquisa entre os cristãos para perceber-se que muitos acreditam nessa afirmação ridícula.

Querido(a) leitor(a), o plano do sacrifício vicário de Jesus foi arquitetado por Deus desde a fundação do mundo, confira:

“Sabendo que não foi com coisas corruptíveis, como prata ou ouro, que fostes resgatados da vossa vã maneira de viver que, por tradição, recebestes dos vossos pais, mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado, o qual, na verdade, em outro tempo, foi conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado, nestes últimos tempos, por amor de vós” (1 Pedro 1. 18 a 20 / Grifo nosso).

Deus já havia determinado que o seu filho seria o redentor da humanidade. O Antigo Testamento está repleto de profecias e analogias da obra de Jesus. Se existe uma coisa que o Diabo tentou, foi impedir esse sacrifício!

Lembra-se da tentação no deserto (Lucas 4. 1 a 13)? O Diabo foi oferecer a Jesus o caminho da facilidade e dos desejos mesquinhos, e foi duramente repreendido por um Cristo convicto de seu chamado.

“Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hebreus 4. 15).

Jesus não teve uma tarefa fácil, por mais que ele fosse deus, havia uma natureza humana e pecaminosa para ser controlada. E Ele foi tentado em várias oportunidades, tudo para que o plano da salvação não fosse cumprido.

Naquele último dia Jesus enfrentou uma angústia após a outra. A traição, abandono, rejeição, flagelo, humilhação, a cruz!

Vitória e derrota nunca estiveram tanto por um fio como nesse dia. Bastava Jesus desistir e tudo desmoronaria! Porém, do outro lado também havia essa apreensão. Satanás sabia que estava perto o momento que ele tanto lutou para impedir.

O Diabo usou os soldados romanos, usou a multidão que escolheu um assassino no lugar do Deus de vida, usou o sumo sacerdote que desafiou Jesus a provar a sua chamada messiânica, usou o ladrão da cruz que o escarneceu, Satanás investiu em suas últimas tentativas de atingir o já fragilizado Jesus.

Vamos a uma das nossas analogias para exemplificar esse momento?

Se você tem mais de vinte anos deve se lembrar da Copa de Mundo de 1994, o evento que consagrou a “geração do tetra”. Lembra-se da angústia de 120 minutos de futebol sem gols? E o sofrimento das penalidades? Agora, tente se lembrar da alegria quando o Baggio isolou o seu penal, e da euforia imortalizada na voz de Galvão Bueno “É tetra! É tetra! O Brasil é tetracampeão mundial de futebol”! (Veja o vídeo no YouTube)

Somente com o apito do árbitro nós estávamos livres para comemorar, e os italianos lamentaram a derrota.

Está consumado. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito” (João 19. 30 / Grifo nosso).

Jesus deu a sentença final! Ele venceu! E, se o Diabo foi derrotado, qual o motivo para comemorações? O filme Paixão de Cristo, dirigido por Mel Gibson e do qual é a imagem que ilustra esse artigo, mostra bem o desespero do inimigo de nossas almas diante da derrota.

Amigo(a) leitor(a), a bíblia não menciona em nenhum lugar uma festa no Inferno. Muito pelo contrário, há sim uma grande festa no céu quando o pecador arrependido entrega a sua vida ao senhorio do Cristo que morreu e ressuscitou: “Assim vos digo que há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende” (Lucas 15. 10).

Respondendo às perguntas do título desse artigo: A vitória e a festa é de todo aquele que é nova criatura em Jesus Cristo.

“Quem é que vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?” (1 João 5. 5).

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