quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

O leproso realmente purificado e os fundamentos da fé.

Por Alexfábio Custódio

Os capítulos 5, 6 e 7 do evangelho segundo Mateus registram o mais conhecido dos sermões do Senhor Jesus: O sermão do monte. Uma grande multidão acompanhava Jesus e a sua comitiva, e todos desejavam ouvir os seus ensinamentos (Nota: Grande multidão pode parecer pleonasmo, mas foi a forma do evangelista nos demonstrar o número incontável de pessoas ansiosas por algo de Deus. Ver Mateus 4. 25).

Em algum lugar mais afastado, mas perto o suficiente para ouvir as palavras do jovem rabi da Galiléia, estava um homem que tinha a obrigação de se auto-intitular de “imundo”.


Ele era um leproso. Alguém considerado impuro expulso do convívio da sociedade por ter se tornado um perigo para a saúde pública. Por todos os dias de seu exílio ele deveria vestir roupas de tecido rústico e avisar a todos que se aproximassem a tomarem cuidado, para não se contagiarem.

Ele deve ter se surpreendido com aquela multidão que acompanhava um pregador e seus discípulos. E quando o mestre se colocou em um lugar mais elevado, e o silêncio dominou aquele ambiente, ele percebeu que viria uma ministração da palavra de Deus. Imagine o paradoxo daquele momento: O homem que não poderia ir ao templo devido à sua doença de pele, viria uma pregação no meio do local de seu exílio.

E as palavras do Galileu entraram fundo em sua alma!

“Bem aventurados os pobres de espírito”, ele se considerava um pobre de espírito, dependente da misericórdia de Deus. “Felizes os que choram”, somente Deus poderia contar todas as suas lágrimas derramadas. O pregador continuou falando de um Reino de Deus entre os homens, mostrando como os seus discípulos seriam portadores de uma mensagem capaz de gerar luz mesmo na mais densa treva, uma mensagem baseada no amor a Deus e ao próximo, uma mensagem que une pessoas a Deus.

As palavras do mestre eram desafiadoras e intrigantes para o leproso anônimo. Desafiadoras por que mostravam como ele sempre caminhou longe da vontade de Deus, mesmo quando era considerado um cidadão modelo e cerimonialmente puro. As palavras daquele sermão o fizeram compreender que a lepra de sua pele era amena ao comparada com a doença que consumia a sua alma. As palavras de Jesus o intrigavam devido à sua situação “especial”. Será que o Deus misericordioso daquela mensagem se aproximaria de um leproso?

Nesse momento Jesus lança um desafio direto ao nosso amigo:

“Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e não caiu, porque estava edificada sobre a rocha. E aquele que ouve estas minhas palavras e as não cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia. E desceu a chuva, e correram rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda” (Mateus 7. 24 a 27).

‘’O leproso, alguém que perdera uma identidade por seu estado, tomou uma atitude única entre todos os que faziam parte daquela multidão, ele apostou a sua vida ao depositar plena confiança naquelas palavras de Jesus.

“E, descendo ele (Jesus) do monte, seguiu-o uma grande multidão. E eis que veio um leproso e o adorou, dizendo: Senhor, se quiseres, podes tornar-me limpo. E Jesus, estendendo a mão, tocou-o, dizendo: Quero; sê limpo. E logo ficou purificado da lepra” (Mateus 8. 1 a 3).

Ele sabia que poderia ser apedrejado a qualquer momento, um leproso não poderia se infiltrar no meio da multidão, quanto mais se ajoelhar diante de um rabi em busca de um milagre.

- Senhor, se quiseres... Ele reconheceu que havia encontrado alguém com autoridade superior, ele depositou todas as suas aflições e a esperança de uma vida verdadeiramente purificada nas mãos de Jesus.

O resultado?  Um toque em seu rosto deformado pela doença e TRE palavras que mudaram a sua história:

- Quero, seja limpo!

As palavras do sermão do monte fizeram alguém que se considerava distante de todos se aproximar de Deus. Esta mensagem mostra que nossos desejos mundanos são efêmeros se comparados às nossas necessidades espirituais. Os fundamentos do Reino de Deus se tornaram o alicerce da fé daquele homem.

As mesmas palavras estão disponíveis para todos nós, preservadas ao pé da letra mesmo após dois mil anos. Que possamos viver experiências de fé como a do leproso purificado, alguém que teve o espírito, a alma e o corpo limpos pela palavra de Deus. Fundamente e alicerce a sua existência na fé do Deus da palavra.

“Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam e a prova das coisas que se não vêem” (Hebreus 11. 1).

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