domingo, 19 de fevereiro de 2012

Ouvindo os bons conselhos do Pai.

Por Alexfábio Custódio

Eu tenho certeza que você já ouviu algumas das sentenças a seguir, principalmente durante a puberdade:

- Você deveria me respeitar e ouvir os meus conselhos.

- Tome cuidado com a sua alimentação meu filho, preserve a saúde do seu corpo.

- Não gosto muito desse pessoal com que você tem andado, eles não são uma boa influência.

- Essa menina não é uma boa pessoa para você namorar.


Qual foi a sua reação? Apenas pensou como seu pai ou mãe eram “caretas”, ou usou o argumento de que você não era mais uma criança? Muitos chegam ás vias do conflito verbal em busca da sua independência e de um pouco a mais de espaço, onde possa estar livre da tirania paterna.

Se você já viveu, ou quem sabe ainda vive esse conflito de gerações, diga bem alto nesse momento: Eu sou igual ao povo hebreu!

Isso mesmo meu caro leitor! Aquele povo que você critica ao ler as histórias do Antigo Testamento, eles tiveram atitudes dignas de adolescentes questionadores e hiperativos. Deus exigiu respeito e aconselhou aos filhos de Abraão (Deuteronômio 4. 1). Ele os ensinou acerca dos bons hábitos alimentares (Levítico capítulo 11).  Tentou evitar o contato do seu jovem povo eleito com os “maus elementos” das nações vizinhas (Levítico 20. 26). Ele se mostrou contrário a uniões afetivas com mulheres idólatras (Esdras 10. 11).

Deus desejava que Israel fosse uma nação exemplo para o resto do mundo. Os filhos de Abraão deveriam viver segundo o padrão de moralidade divina e, através  do seu testemunho, influenciar os outros povos.

O Senhor estabeleceu um conjunto de normas morais, cívicas e cerimoniais para guiar Israel, essas normas estavam na lei entregue a Moisés no deserto durante o êxodo do povo hebreu. Atitude semelhante à dos pais que estabelecem normas para a educação de seus filhos.

Quando eu era criança, só podia ir brincar com meus amigos após terminar as tarefas escolares. Quando a Bianca nasceu (minha irmã caçula), os filhos mais velhos passaram a ter a obrigação de ajudar nas tarefas domésticas e nos cuidados daquela menina carequinha J.

Limites e regras no lar são importantes para a maturação do caráter da criança. É óbvio que eu preferia jogar bola na rua e largar a álgebra para mais tarde. Passei muitas tardes cuidando de minha menina enquanto meus amigos faziam torneios de Street Fighter na locadora de vídeo-game. Hoje, muitos anos depois, eu posso olhar para trás e perceber como foi bom guardar as ordens da casa, como eu cresci ao observar as regras do pai.

E Israel possuía as normas do próprio Deus. As tábuas com o decálogo estavam guardadas dentro da Arca da Aliança, o livro completo da lei foi preservado através do trabalho minucioso dos copistas. A tribo de Levi foi escolhida unicamente para ensinar e executar as normas da lei.

Mesmo assim o povo se rebelou. Escolheram deliberadamente desobedecer aos mandamentos divinos, trilhando caminhos de morte espiritual. Com o desenrolar das narrativas do antigo testamento, testemunhamos que os israelitas perderam gradativamente o padrão entre certo e errado.

Esse cenário é o plano de fundo para a reflexão do autor do salmo 119. A pergunta do versículo nove: “Como purificará o jovem o seu caminho?” Serve de inspiração para a maior canção registrada nas escrituras.

São 176 versículos contendo uma declaração de amor pela palavra de Deus. Não vou te privar do privilégio de ler esse salmo fazendo muitas citações nesse texto. Quero me ater apenas na seguinte sentença:

“Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (Salmo 119. 11).

Essa pessoa descobriu que não bastava ter duas tábuas de pedra guardadas em uma arca quase inacessível, ou ver as escrituras sendo manuseadas apenas pelos sacerdotes. Ouvir uma ministração bíblica uma única vez por semana, aos Sábados, passou a não saciar o seu anseio pela palavra de Deus. Ele encontrou o melhor lugar para a palavra de vida abundante: O seu coração!

E agora chegou a nossa vez! Será que nós cristãos estamos guardando a palavra de Deus com o zelo devido? Ou temos sido filhos rebeldes? O evangelho continua sendo uma contraproposta ao padrão pecaminoso de vida do mundo? Ou vem sendo contaminado pela cultura do “nada a ver”?

Infelizmente muitos cristãos estão deixando de guardar em seus corações as orientações da bíblia para uma vida santa, para se firmarem apenas em promessas e palavras macias que acariciam o ego. Esses se tornam pessoas sem a capacidade de enfrentar as dificuldades e tentações, se tornando alvos fáceis para o pecado.  

Tiremos a bíblia das arcas, gavetas ou estantes onde elas estão guardadas! Não são apenas os pastores e professores de Escola Bíblica Dominical que tem o privilégio de manusear a palavra de Deus, busque você também desenvolver um plano de leitura e estudo das escrituras! Não espere até domingo para ouvir uma mensagem bíblica, a internet está cheia de bons blogs com textos para edificar a sua fé (confira algumas indicações na barra lateral do blog).

Ser fiel a essa palavra é muito difícil amigo! Temos que lutar diariamente contra nossos desejos e perdemos algumas batalhas. No entanto, com a graça de Deus, vamos crescendo em nosso caráter e, um dia, vamos olhar para o passado e entender como valeu a pena combater o bom combate!

Eu tenho certeza que este texto vai alcançar pessoas que precisam purificar os seus caminhos. Esse anseio de sua alma não pode ser saciado com o “evangelho mamão com açúcar” da teologia da prosperidade ou com atitudes deterministas. Uma vida espiritual saudável segue o caminho da santificação, sem santidade ninguém verá a Deus (Hebreus 12. 14/ 1 Pedro 1. 15 e 16). Em uma época em que muitos falam em “relacionamento”, “amizade”, ou até mesmo “intimidade” com Deus, é preciso lembrar uma orientação do Senhor Jesus aos seus discípulos:

“Vós sereis meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando” (João 15. 14).

Está na hora da geração “Jesus migucho” lembrar que, na verdade, Ele é Senhor e Rei. E, se todo reino terrestre possui leis para estabelecer a ordem social, imagine o Reino de Deus que é perfeito e eterno! Vivamos segundo os bons conselhos do pai das luzes, e um dia ouviremos essa sentença da boca do próprio Deus:

“Bem está, servo bom e fiel. Sobre o pouco foste fiel, sobre muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25. 21).

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