quarta-feira, 4 de abril de 2012

A páscoa e seus símbolos.


Por Daniel Dourado.

Estamos nos aproximando de mais uma páscoa, uma festa cristã muito conhecida, e que hoje está diretamente relacionada ao comercio e trocas de ovos de chocolate entre as pessoas, mais essa é a verdadeira páscoa? Como essa festa teve inicio? E quais as influências que ela sofreu durante os anos? Como muitas coisas dentro da cristandade a festa de páscoa foi perdendo o seu verdadeiro sentido com o passar dos anos, para verificarmos essas mudanças devemos voltar ao começo.

A páscoa foi instituída por Deus, quando o povo de Israel se encontrava escravizado pelos egípcios, e estes mesmo com tantos sinais da parte de Deus não permitiram que o povo de Israel fosse liberto. Depois de nove pragas serem lançadas Deus deu a ultima ordem a Moises em Êxodo 11. 4 e 5: “Assim o SENHOR tem dito: Å meia noite eu sairei pelo meio do Egito; E todo o primogênito na terra do Egito morrerá, desde o primogênito de Faraó, que haveria de assentar-se sobre o seu trono, até ao primogênito da serva que está detrás da mó, e todo o primogênito dos animais”. Deus havia dado um aviso de que todos os primogênitos do Egito morreriam, mas o povo de Israel ainda estava nas terras do Egito, e para que houvesse uma distinção entre as casas a serem assoladas pelo anjo da morte e as que seriam poupadas, Deus estabelece algumas regras que dão o inicio à páscoa (vide Êxodo 12), era necessário que cada família sacrifica-se um cordeiro sem mancha, e aspergi-se o seu sangue no umbral da casa, e esse sangue aspergido era o sinal para o anjo da morte de que ele deveria poupar aquela casa, esse é o significado da palavra Hebraica pesah, ou seja, poupar.

A páscoa está profeticamente ligada ao nosso Senhor Jesus Cristo, que como cordeiro imaculado, sem mancha (1 Pedro 5. 19), foi morto por nossos pecados (1 Coríntios 15. 3), e pelo seu sangue, nos abriu um novo e vivo caminho à presença de Deus (Hebreus 10. 19 e 20) e nos purificou pelos seu sangue, Ele intercede por nós e virá para nos buscar (Hebreus 9. 24 a 28).

Dentro do contexto do Antigo Testamento, a páscoa sempre foi comemorada pelos judeus a cada ano, eles matavam um cordeiro, e contavam a historia para seus filhos para que dessa maneira todos soubessem como Deus tinha agido a favor de seu povo. Foi durante uma páscoa que Jesus foi crucificado como cordeiro pascoal (vide 1 Coríntios 5. 7) que liberta do pecado e da morte todos aqueles que nEle crê.

Portanto podemos afirmar que a páscoa bíblica consumou-se em Cristo, que institui a partir dai, a sua santa ceia, como um novo memorial, na qual o crente comemora a morte do Senhor até que ele venha.

Hoje a páscoa está ligada a alguns símbolos estranhos à palavra de Deus, como o coelho e o ovo de chocolate, o pastor Abraão de Almeida, em seu livro Lições da historia que não podemos esquecer, nas páginas 54 e 55, nos dá uma ideia histórica de como esses símbolos foram introduzidos em nosso meio, vejamos o texto em questão:

“Com o correr do tempo, muitas festas e tradições surgiram e chegaram até nós, através da cultura de muitos povos e países diferentes. A palavra “easter” (“pascoa”, em inglês) parece que vem da deusa anglo-saxônica da primavera, Eostre, derivada da Istar babilônica. Outros atribuem sua origem às festas de Eostur, que celebram a volta da primavera, também uma antiga tradição babilônica. No hemisfério Norte esta festa corresponde ao principio da primavera, e por isso esse dia é festejado de muitas maneiras e de acordo com os mais diferentes ritos pagãos.”

“O ovo significando o começo, origem de tudo, abriu o caminho para outras tradições. Ele esta presente na mitologia antiga, nas religiões do Oriente, nas tradições populares e numa grande parte da cristandade. Segundo alguns, a tradição dos ovos na comemoração da páscoa chegou ao Ocidente vinda do antigo Egito e, segundo outros, através de povos germânicos da região do Báltico.”

“Na Idade Média, os europeus adotaram o costume chinês de enfeitar ovos, que eram cozidos e coloridos, e davam-se aos amigos na festa da Primavera, como lembrança de continua renovação de vida. Colorir os ovos se tornou arte requintada. No século XVIII, a Igreja Católica Romana adotou oficialmente o ovo como símbolo da ressurreição de Cristo, santificando-se desta maneira um uso originalmente pagão, e pilhas de ovos coloridos começaram a ser benzidas antes de distribuídos aos fiéis.”

“O coelho, como símbolo da fecundidade, apareceu por volta de 1215 na França, derivando-se também dos mistérios babilônicos. Uma mistura de mitologia pagã com a simbologia cristã paganizada. A partir de 1928. Quando o cacau começou a ser industrializado em larga escala, os enfeitados ovos de galinha foram substituídos pelos de chocolate, e assim continua no antigo costume pagão de presentear com ovos amigos, na páscoa.”

“Em 1951, o papa Pio XII introduziu modificações na festa da páscoa uma tentativa de restitui-lhe o esplendor religioso, transferindo a missa que era celebrada no sábado de aleluia – quando se “malha o judas” – para a meia-noite, na passagem para  domingo. O sábado, como preparação para a páscoa, foi chamado sábado santo. A partir do mês de novembro, o romanismo impõe ainda a seus fiéis, como preparação para a festa, uma série de ensinamentos sobre os sacramentos. A quaresma, através da penitência, é considerada de grande valia no preparo do povo.”

Vemos dessa forma como certos costumes vieram sendo introduzidos em nosso meio. Devemos sempre nos lembrar do que diz em 1 Coríntios 5. 7:  “Alimpai-vos, pois, do fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como estais sem fermento. Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós.”

Na fé e em Cristo.

Daniel Dourado é diácono da Assembleia de Deus em São José do Rio Preto e engenheiro agrônomo. e-mail: agronomo_dourado@hotmail.com Facebook

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