sábado, 28 de julho de 2012

A Tua Palavra... Citações do livro de Salmos #7


Por Alexfábio Custódio.

Força e coragem através da fé na palavra.

Também desprezaram a terra aprazível; não creram na sua palavra. Antes, murmuraram em suas tendas e não deram ouvidos à voz do SENHOR. (Salmo 106. 24 e 25 / Grifo nosso).

Este Salmo é um exemplo de poesia musical que dificilmente tocaria em algumas de nossas rádios e igrejas evangélicas. Nessa canção o salmista mostrava a tendência do povo de Israel de se afastar de Deus, mesmo com todos os milagres e maravilhas operados em seu favor.

O compositor reconhece a sua própria perversidade (verso 6), assumindo a sua fragilidade e a clara necessidade de alcançar a salvação através do perdão divino (versos 4 e 5). E, para embasar a sua declaração quanto à inconsistência do povo israelita, ele passa a citar alguns exemplos da ingratidão hebreia.

Os dois versos que abrem esse artigo fazem menção à ocasião em que doze homens da congregação de Israel foram designados para espiar a terra de Canaã (Números 13). Eles deveriam inspecionar a terra prometida a Abraão, e trazer um relatório completo dos habitantes e suas cidades.

Dez desses espiões trouxeram um relatório extremamente negativo, que levou o povo a temer os cananeus de tal forma, que eles começaram a cogitar voltar para o Egito, e para a escravidão.

“E todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e contra Arão; e toda a congregação lhe disse: Ah! Se morrêramos na terra do Egito! Ou, ah! Se morrêramos neste deserto! E por que nos traz o SENHOR a esta terra, para cairmos à espada e para que nossas mulheres e nossas crianças sejam por presa? Não nos seria melhor voltarmos ao Egito? E diziam uns aos outros: Levantemos um capitão e voltemos ao Egito” (Números 14. 2 a 4).

A resposta de Josué e Calebe, os únicos dos espias empolgados com o que viram em Canaã, também mostra a rebeldia desse povo, dando validade às palavras do salmista:

“Se o SENHOR se agradar de nós, então, nos porá nesta terra e no-la dará, terra que mana leite e mel. Tão somente não sejais rebeldes contra o SENHOR e não temais o povo desta terra, porquanto são eles nosso pão; retirou-se deles o seu amparo, e o SENHOR é conosco; não os temais” (Números 14. 8 e 9).

Enquanto todo o povo hebreu já cogitava desistir da posse de Canaã, e da própria liberdade, devido à eminente necessidade de conflito armado, esses dois homens enxergavam uma grande oportunidade de Deus ser exaltado através de seu povo!

O salmista afirma que o pecado dessa geração foi o de não ter crido na palavra de Deus. Talvez eles esperassem que o Senhor simplesmente “varreria” aquelas pessoas de Canaã, operando os mesmos milagres que Ele usou para retirá-los do Egito. E, ao perceberem que não seria assim tão fácil, que eles deveriam lutar para conquistar a terra que lhes pertencia por herança, eles resolveram não acreditar mais. Os escravos libertos não queriam tornar-se guerreiros desbravadores.

Observe o contraste desse desejo: Após o fatídico caso dos bezerros de ouro, Deus disse a Moisés que enviaria um anjo para fulminar os cananeus, e assim dar entrada tranquila para Israel na terra prometida. No entanto, Ele não os acompanharia mais, devido à dureza de coração daquele povo (Êxodo 33. 1 a 3). Ou seja, o povo não precisaria nem transpirar para tomar posse da promessa a Abraão, mas o Deus de Abraão não iria com sua descendência. Em contrapartida, encontramos Josué e Calebe afirmando categoricamente: “O Senhor retirou o amparo desse povo, vamos derrotá-los, DEUS É CONOSCO”.

Impossível não comparar esse caso com as palavras do Cordeiro Eterno: “Tenho-vos dito isso, para que em mim tenhais paz; no mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo; eu venci o mundo” (João 16. 33).

Esse versículo é um terror para os pregadores da confissão positiva ou da teologia da prosperidade. Como é possível existir um estado de “pura bênção” ou “só vitória”, se o próprio Cristo nos alertou quanto às aflições da vida?

Infelizmente, as nossas igrejas possuem muitos cristão que não passam do estado de “escravos libertos”. Pessoas que não sabem como agir diante das dificuldades da vida cristã, e que até pensam em desistir da fé e voltar ao “Egito”.

Se você que está lendo esse artigo já pensou, ou quem sabe cogita nesse momento, em abandonar a fé, saiba que você não está sozinho. Esse articulista que divide este texto contigo já pensou em desistir, devido à maior crise de minha vida.

Permita-me repetir alguns conselhos das palavras de Josué e Calebe, que possam ter passado despercebidos na leitura da citação mais acima:

“Não sejam rebeldes” e “não temam”. Todo confronto repentino assusta, entristece e desestabiliza qualquer pessoa. No entanto, isso não pode se tornar naquele temor que mina as forças e causam a angústia. O “escravo liberto” lamenta e pode até desejar retroceder, o “guerreiro desbravador” enfrenta com bom ânimo os desafios da vida, sabendo que Deus está com ele.

Creia na palavra e no senhorio de Deus querido, e aproveite as oportunidades que somente as aflições proporcionam para glorificar a Deus. Boa batalha, guerreiro desbravador!

“Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus é tomado por esforço, e os que se esforçam se apoderam dele” (Mateus 11. 12).

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