quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Tributo ao meu pai Joel Custódio Filho.



Por Alexfábio Custódio.

Esse texto está sendo escrito em um quarto de hospital. Pela porta aberta ouço o choro estridente de um recém-nascido, o pequenino levou muito a sério a ideia de estrear os seus pulmões. Por outro lado, tenho que fazer muito esforço para ouvir o que meu paizinho está me pedindo nesse momento.

Meu pai está em um estado terminal devido ao câncer. E, se você está lendo estas palavras, nesse momento ele está com o seu Redentor.

O choro do neném continua batendo recorde de decibéis, enquanto isso, eu presencio o ciclo da vida. Há pouco tive que ajudar a dar um banho em meu paizinho, uma atitude tão pequena comparada ao seu grande amor por seus filhos.

Muitas imagens de meu pai surgem em minha mente durante essa madrugada sem sono: O companheiro de brincadeiras, ele mesmo ensinou eu e meu irmão a jogar videogame; O mecânico coberto de graxa, sempre criativo e zeloso com sua profissão; O protetor da família, eu lembro que para defender a honra de minha mãe, meu pai derrubou com um único soco um camarada com o dobro de seu tamanho; O pescador sempre empolgado e disposto; O viciado em jogos de azar, jogatina que consumiu grande parte do que ele conquistou como profissional, e que levou meu velho a se afastar da família.

E tem o Joel como nova criatura em Cristo.

Como foi poderosa a transformação que o Senhor exerceu através de seu Santo Espírito na vida de meu pai. Em poucos anos nós vimos a ovelha negra de sua família se transformar em um ícone de amor e afeto. É impressionante como os erros do passado não parecem pertencer ao homem do leito diante de meus olhos. E não pertencem mesmo, diante de meus olhos está o maior exemplo que eu conheço de vida transformada pela graça divina.

Mesmo com toda essa batalha contra a enfermidade, meu velho não reclamava, não colocava sua fé em cheque, somente resistia dizendo: “Filho, nosso Jesus sofreu muito mais por nós, isso não é nada!” Ele sempre teve muita coragem e força, ao ver o seu quadro desse momento, sinto tanta vergonha de minhas constantes reclamações.

Às vezes preciso deixar o tablet sobre a cadeira para segurar a sua mão durante as crises de dor, tão pouco o que posso fazer. Sinto que está chegando a hora desse guerreiro descansar do bom combate. Para você que está lendo esse texto escrito em lágrimas de dor e orgulho, fica o maior testemunho que meu paizinho fazia questão de contar às pessoas: “Jesus Cristo pode mudar a vida do mais cruel pecador, eu sei disso por que Ele mudou a minha”.

Até breve pai, logo nos encontraremos naquele lugar onde o senhor não sentirá mais dores, e onde a morte não poderá nos separar.

 “E Deus limpará de seus olhos toda lágrima, e não haverá mais morte, nem pranto, nem clamor, nem dor, porque já as primeiras coisas são passadas” (Apocalipse 21. 4).



 P.S: Meu pai passou para a eternidade na manhã do dia 07/01/2013. Quero reproduzir aqui o que meu irmão Alessandro disse durante o funeral: “Não tem como afirmar que meu pai foi derrotado pelo câncer, na verdade, ele venceu a enfermidade. Pois, mesmo passando por momentos terríveis, a sua fé em Deus permaneceu inabalada!” Eu testemunhei isso durante a sua internação no hospital, durante crises de dor ele só dizia: “Meu Jesus querido, Salvador e Redentor de minha alma!”

Onde está, ó morte, o teu aguilhão? Onde está, ó inferno, a tua vitória? Ora, o aguilhão da morte é o pecado, e a força do pecado é a lei. Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo. Portanto, meus amados irmãos, sede firmes e constantes, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o vosso trabalho não é vão no Senhor” (I Coríntios 15. 55 a 58 / Grifo nosso).

1 comentários:

Eduardo H. C. Barbosa disse...

Linda mensagem Alex. Continue exercendo seu ofício. Deus reconhece seu lindo trabalho.

Postar um comentário

A sua opinião é muito importante para a gente.
Comente, critique, deixe a sua dica para que o Sementes do Evangelho seja um blog relevante.