sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Espancadores de Cristo.



Por Alexfábio Custódio.

“Então, cuspiram-lhe no rosto e lhe davam murros, e outros o esbofeteavam, dizendo: Profetiza-nos, Cristo, quem é o que te bateu?” (Mateus 26. 67 e 68).

Jesus havia sido preso pela guarda do templo no Getsêmani. Logo em seguida o levaram para a casa do sumo sacerdote, onde ele foi o réu de um julgamento secreto e fraudulento.

Já havia algum tempo que os líderes judaicos planejavam uma forma de “calar” Jesus (Marcos 11. 18), e a oportunidade ideal surgiu quando um de seus discípulos mais próximos o entregou por trinta moedas de prata (Mateus 26. 14 a 16).


Jesus havia acabado de anunciar diante de membros do sinédrio (parlamento judaico da época) e do sumo sacerdote, que era o filho do Deus Vivo, o tão aguardado Messias de Israel. Devido a isso, ele foi considerado blasfemo e digno de morte.

Após a sentença, os guardas resolveram “brincar” com o seu prisioneiro importante. Enquanto Jesus era esmurrado e esbofeteado, os seus agressores zombavam dizendo: “Profetize messias, que está te batendo?” imagine o sofrimento de quem realmente conhecia seus agressores, e que por amor escolhera participar desse flagelo desde a fundação do mundo (1 Pedro 1. 18 a 20).

Nos primeiros anos de minha vida de fé, eu olhava para esse texto e os meus olhos enchiam-se de lágrimas, imaginando a maldade daqueles homens. Hoje, posso dizer que amadureci um pouco, e, com a maturidade, passamos a reconhecer as consequências de nossos atos. Ao ler esse texto, as lágrimas são acompanhadas com um nó na garganta, porque me lembro das várias vezes que eu mesmo agredi ao Senhor.

Por várias vezes duvidei de sua existência, em inúmeras oportunidades eu ignorei a pregação de sua palavra. Não foram poucas as zombarias, muitas de forma agressiva, utilizadas para humilhar alguns cristãos. Confesso que ao pensar em tudo isso sinto minhas mãos sujas, e me considero indigno de ao menos digitar essas palavras.

E se você está considerando um exagero de minha parte comparar zombaria contra cristãos com socos no próprio Jesus, te convido a lembrar-se da conversão de Saulo de Tarso.

Ele aparece pela primeira vez nas escrituras no momento do martírio de Estêvão (Atos dos Apóstolos 7. 58; 8. 1 a 3), ele se tornou um dos maiores perseguidores da igreja recém nascida. Até o momento do seu encontro com Jesus na estrada para Damasco. Preste atenção nas palavras de Jesus para Saulo:

“Saulo, Saulo, por que me persegues?” (Atos dos Apóstolos 9. 4 / Grifo nosso).

Perceba que Jesus não disse: “Saulo, por que persegues a minha igreja?” Fica claro que qualquer ato contra a igreja, é um ato contra o próprio Cristo.

A única conclusão que podemos chegar nesse caso, e que sempre será a mesma quando o assunto for o pecado, é que não existem inocentes nesse caso. Todos já desferimos alguns golpes em Jesus.

No entanto, essa não é uma mensagem do tipo ”Meu Deus, vejam como somos pecadores imundos!” Está mais para: “Ei, veja o que o Amor de Deus é capaz de produzir!”

O perseguidor de discípulos se tornou um fundador de igrejas.

Este zombador que vos escreve hoje usa a sua imaginação para anunciar a mesma palavra que rejeitava.

 O mesmo Cristo transforma tiranos do lar em conselheiros familiares, transforma feras agressivas em mansos cordeiros, tudo isso através de sua grande benignidade.

Você talvez conheça algum “espancador de Cristo”, homens e mulheres descompromissados com qualquer preceito bíblico, e que zombam ou agem de forma agressiva com os cristãos. Talvez você já tenha entrado em “conflito” com alguma dessas pessoas, ou concorde com a posição agressiva com que alguns dos “defensores do cristianismo” os tratam. Hoje vemos muito “Vou ferrar esse ateu”, ou “Vamos quebrar tal emissora”, “Vamos envergonhar tal movimento gay”. Contudo, gosto de pensar que Jesus chama discípulos e não guarda-costas.

Sejamos sinceros, quantas vezes oramos por essas pessoas? Será que estamos dando exemplos de civilidade e respeito para eles? A mensagem da igreja se torna atrativa quando abandonamos o gás mostarda da intolerância, e exalamos o bom perfume de Cristo (2 Coríntios 2. 14 a 17). Pense na grande obra que Deus em sua vida, se Ele conseguiu mudar a nossa natureza cruel, imagine a dessas pessoas. Lembremo-nos sempre de onde Ele nos tirou:

“Pois nós também, outrora, éramos néscios, desobedientes, desgarrados, escravos de toda sorte de paixões e prazeres, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros. Quando, porém, se manifestou a benignidade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor para com todos, não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo sua misericórdia, ele nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo” (Tito 3. 3 a 5).


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