domingo, 2 de junho de 2013

Orando pelos perseguidores


Por Alexfábio Custódio.

“Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e aborrecerás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem” (Mateus 5. 43 e 44).

Aqueles que me conhecem sabem que sou uma pessoa muito metódica, sou daqueles que planejam todo o dia enquanto escovo os dentes de manhã. E isso também interfere nos momentos devocionais.

Eu tenho um “plano de oração” programado em minha cachola. São categorias pelos quais sempre preciso lembrar-me de orar, e que se expandem em tópicos menores. Algo similar ao apresentado pelo Maurício Zágari nesse artigo de seu blog Apenas.

Um desses tópicos de oração são aquelas pessoas que ainda não tiveram o seu encontro com Deus, entre eles amigos, familiares, colegas de trabalho, etc. É nesse momento surgem as pessoas de quem Jesus está falando na citação que abre esse artigo.

Inimigos, caluniadores, iracundos, perseguidores e agressores. Jesus estava afirmando que devemos fazer bem e orar por todos esses. Ele estava falando daquele professor que insiste em afirmar que religião é um consolo criado pela insegurança do ignorante. Ele estava falando daquele ativista de alguma prática condenada pela bíblia, que faz pouco caso e até zomba das escrituras, para defender seus interesses. Ele também está falando dos agressores e assassinos dos mártires cristãos anônimos do século vinte e um.

Essa oração parece difícil para você? As palavras ficam engasgadas em sua garganta? Ou para você parece natural orar algo como: “Deus, tenha misericórdia daqueles que, por ignorância, perseguem e maltratam os seus servos”?

Difícil né? E até aqui eu citei apenas casos de intolerância e perseguição religiosa.  E o que falar da violência urbana? Orar pelo motorista que encheu a cara e tirou a vida de um ente querido. Ou pelo dedo anônimo que disparou o tiro perdido que matou um inocente.

Alguns de vocês já sabem que há alguns anos fui assaltado por três rapazes. Um deles colocou uma faca em meu pescoço enquanto os outros revistavam minha carteira, e isso tudo por míseros oitenta reais. Agora, imagine que eles tivessem tirado minha vida. Você consegue se imaginar como o meu irmão Alessandro ou a minha irmã Bianca? Ambos crentes na pessoa bendita de Jesus, lendo em suas bíblias que vocês deveriam amar e orar pelos assassinos de seu irmão.

Os garotos que me assaltaram queriam consumir entorpecentes, você já imaginou o quanto deve ser difícil orar pelos integrantes dessa máfia? “Deus, alcance com a sua graça o traficante que viciou/aliciou meu filho”.

Definitivamente, quanto mais pensamos, mais atraente se torna a ideia de “olho por olho, dente por dente”. Todos um dia já misturaram seu desejo de vingança à ideia de justiça divina. Veja o que o apóstolo Paulo escreveu sobre isso:

A ninguém torneis mal por mal; procurai as coisas honestas perante todos os homens. Se for possível, quanto estiver em vós, tende paz com todos os homens. Não vos vingueis a vós mesmos, amados, mas dai lugar à ira, porque está escrito: Minha é a vingança; eu recompensarei, diz o Senhor. Portanto, se o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer; se tiver sede, dá-lhe de beber; porque, fazendo isto, amontoarás brasas de fogo sobre a sua cabeça. Não te deixes vencer do mal, mas vence o mal com o bem” (Romanos 12. 17 a 21 / Grifo nosso).

Vencer o mal com o bem começa em nosso interior. Devemos aprender a perdoar! É evidente que o perdão não vai apagar crimes dignos de castigo diante da sociedade, mas nos permitirá sermos holofotes da graça de Deus.

 Segundo Paulo, se formos bons com quem é mal, “amontoaremos brasas de fogo sobre a sua cabeça”. Ou seja, haverá constrangimento e arrependimento das obras ruins. E o apóstolo dos gentios sabia do que falava, ele estava presente guando Estevão orou em favor de seus algozes (Atos dos Apóstolos 7. 58 a 60).

No episódio do sermão do monte, narrado no evangelho de Mateus e citado nesse texto, Jesus deixou claro que a justiça do Reino de Deus estava muito acima do “olho por olho”. Se a justiça da lei de talião girava em torno do eixo castigo-ira-vingança, a justiça do Reino de Deus age produzindo perdão, esclarecimento, arrependimento e restauração.

Se vencermos o mal com o bem, as pessoas verão as nossas boas obras, e glorificarão a Deus através desse testemunho (Mateus 5. 16). Lembrando sempre que Jesus foi o primeiro a exercer o seu mandamento, oferecendo perdão a todos aqueles que o conduziram à cruz, e nós fazemos parte desse grupo. Se hoje não somos um bando de cegos e desdentados, é por que Jesus nos alcançou com a justiça do perdão e da reconciliação!

Que a luz de Cristo possa resplandecer através de cada um de nós. E, se por um acaso, venhamos a sofrer por amor à justiça de Deus, que sigamos o exemplo de Jesus, e confiemos na perfeita justiça de Deus.

“Porque para isto sois chamados, pois também Cristo padeceu por nós, deixando-nos o exemplo, para que sigais as suas pisadas, o qual não cometeu pecado, nem na sua boca se achou engano, o qual, quando o injuriavam, não injuriava e, quando padecia, não ameaçava, mas entregava-se àquele que julga justamente, levando ele mesmo em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados” (1 Pedro 2. 21 a 24 / Grifo nosso).


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1 comentários:

maria tereza callefe terê disse...

JESUS NOS ENSINOU A TÉCNICA DO PERDÃO, QUANDO, NO GÓLGOTA, PEDIU: PAI, PERDOAI-LHES PORQUE NÃO SABEM O QUE FAZEM.

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